Opinião – “já que vamos, vamos com 365 novas oportunidades…”

31 Dezembro 2022, 10:00 Não Por Redacção

Somos o produto daquilo em que acreditamos. E acreditar é preciso!

Como a maioria das pessoas, tenho por hábito refletir sobre o ano que passou, estabelecer objetivos pessoais para o ano seguinte e analisar as variáveis que condicionam ou potenciam a realização dos desafios.

Existem vários métodos para o efeito, o meu é escrever as prioridades em folha de papel e manter em local visível para não me perder em objetivos paralelos.

Sendo este um artigo de opinião sobre cultura, turismo e território, devo fazer aqui o exercício da partilha. Mas 2022 não deixa saudades e o próximo está ainda mais estranho de perspetivar.

Apesar das circunstâncias, neste ano, a pandemia começou a ser história do passado e voltámos à rua, a viver momentos e a sentir como nos faz bem a cultura, os eventos e monumentos, sem medo de estar na multidão ou com os nossos.

Este foi ano foi de celebração do centenário de José Saramago e de Agustina Bessa-Luís e de os ver apresentados nas escolas, visitados em exposições, murais e reedições de livros, peças e palestras, com continuidade em 2023.

Assistimos ao início de uma guerra e sentimos todos os dias o efeito da crise energética, mas também foi ano de solidariedade e ações humanitárias, que não chegam para aliviar o sofrimento, mas refletem o compromisso mais do que individualmente julgamos possível. Aconselho a que conversem com associações de acolhimento e/ou refugiados que estão próximos de nós e percebam como nos faz sentir humanos.

2022 foi ano de assistir a protestos por liberdade, no Irão, no Afeganistão e na China, o que permite esperança de mudança e desenvolvimento de novos modelos de sociedade.

Num ano em que tanto poupámos água devido aos efeitos da seca, a chuva intensa de dezembro permitiu duplicar o volume das albufeiras e fazer correr os rios e riachos. Por cá, os nossos territórios estão preparados para o ciclo agrícola seguinte, com água e a ajuda do leito de cheia para fertilizar as terras.

O ciclo é de novos fundos comunitários e esta é uma oportunidade para estruturar a economia, seja com o PRR ou com o novo quadro comunitário PT2030, organizado por temáticas, tais como, a economia verde; a transição digital; a competitividade e empreendedorismo; a sociabilidade, através do emprego, educação e formação.

Em Portugal, o turismo voltou aos valores anteriores à pandemia, que foi o melhor de sempre e as perspetivas indicam que os turistas escolhem com o propósito de visitar lugares previamente sugeridos. Somos um destino essencial para 2023. E os motivos são muitos: um destino seguro, de clima ameno e diversidade cultural, história e paisagem. Mas também há dados novos. O nosso país promove-se em todo o mundo através de canais de streaming. Por cá foram gravados episódios das séries “Glória”, “Guerra dos Tronos”, “la Casa de Papel”, “Velocidade Furiosa” e “Donzela”, o que promete render turistas para conhecer as paisagens e a nossa cultura.  Depois há ainda a Jornada Mundial da Juventude, a acontecer pela primeira vez em Portugal, entre os dias 01 e 6 de agosto de 2023 e que acolherá jovens de todo o mundo, pelas dioceses de Lisboa, Setúbal e Santarém.

Os desafios passam por encontrar respostas locais e regionais para adequação de mão de obra, necessária e diferenciadora. O país precisa de recuperar sustentabilidade social e precisa da ligação entre os povos. O turismo é a única atividade que se faz com a colaboração de todos, seja setor público, privado e comunidade.

Parecem esperanças de pouca mudança, mas é preciso acreditar e trabalhar para a economia e para o nosso equilíbrio entre a dimensão individual e profissional, doméstica e social.

Da minha parte, desejo boas leituras, espírito critico e construtivo para o novo ano. Por cá continuarei, otimista e esperançosa, como sempre!

Até 2023!  

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