O candidato presidencial Jorge Pinto homenageou este sábado o capitão de Abril Salgueiro Maia, lembrando o “legado de alguém que arriscou muito” pela democracia e para dar um sinal de “que é preciso ser firme na defesa do regime”.
O final da tarde do sétimo dia de campanha oficial de Jorge Pinto ficou marcado por uma visita ao monumento de homenagem a Salgueiro Maia, em Santarém, onde depositou uma coroa de 50 cravos, símbolo dos 50 anos da aprovação da Constituição Portuguesa, uma das principais bandeiras do candidato apoiado pelo Livre.
Aos jornalistas, Jorge Pinto lembrou o capitão de Abril, figura central da Revolução dos Cravos, pela “coragem e firmeza de alguém que, quando não tinha sequer 30 anos, arriscou mesmo tudo, num clima de ditadura que se vivia, para libertar o país”.
“A ele muito devemos, porque foi precisamente por essa coragem, foi por essa vontade de ter um Portugal diferente, que hoje vivemos na segunda República e que hoje temos um país incomparavelmente melhor do que aquele que tínhamos antes de 74”, enalteceu.
O candidato a Belém explicou também que esta homenagem teve como propósito “dar um sinal ao futuro” e um “sinal de que realmente é preciso ser corajoso e firme na defesa do regime, da democracia e da liberdade”.
Jorge Pinto, lembrando as cincos décadas da Constituição Portuguesa, alertou que a lei fundamental “”está a ser seriamente ameaçada” e precisa de ser defendida pelo Presidente da República.
“E por isso tenho insistido muito na necessidade de termos alguém à frente do país que vai fazer da defesa da Constituição a sua prioridade. Porque é ela que garante a liberdade aos portugueses, é ela que traduz em coisas palpáveis e concretas tudo aquilo que foram as conquistas do 25 de Abril”, argumentou.
Jorge Pinto recordou, referindo os “grandes republicanos da antiguidade clássica, que as “democracias são todas elas, por definição finitas”, mas frisou que o fim dos regimes democráticos por chegar em milénios mas também em “apenas alguns anos”.
O candidato salientou também a “retidão e o caráter à prova de qualquer tipo de corrupção” de Salgueiro Maia para acrescentar que esse tipo de postura “garante que as repúblicas resistem”.
Questionado sobre a participação de militares, em particular de Henrique Gouveia e Melo na vida política, uma vez que Salgueiro Maia foi um membro do Exército que recusou esse percurso, Jorge Pinto disse não ter qualquer “julgamento negativo” sobre a ida de um militar para a política, considerando que é uma opção legítima desde que respeitadas as obrigações constitucionais.
Sobre que características partilha com o capitão de Abril, Jorge Pinto enumerou a defesa da liberdade, igualdade e democracia, mas também uma postura de coragem e firmeza.
“Eu tenho dito muitas vezes que o próximo Presidente da República (…) vai ter muitos desafios, que se calhar nenhum outro Presidente da República ao longo da nossa Segunda República teve pela frente. E é por isso que é preciso ter coragem e ser firme, como foi Salgueiro Maia, e reto nos seus princípios e corajoso na tomada de decisões”, concluiu.




