A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira estima em cerca de 15 milhões de euros os prejuízos provocados pelas recentes intempéries que atingiram o país e o concelho, ao longo de 11 dias de “grande dificuldade climatérica”. O anúncio foi feito pelo presidente da autarquia, Fernando Paulo Ferreira, que confirmou igualmente a desativação do Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil.
Na intervenção inicial da reunião de Câmara realizada esta segunda-feira, no Pavilhão Multiusos de Vila Franca de Xira, o autarca referiu que foram registadas 483 ocorrências desde 5 de fevereiro, envolvendo 1471 operacionais e 277 viaturas no terreno.
Fernando Paulo Ferreira revelou que foram acolhidas “33 pessoas, retiradas por cautela na sua maioria da Vala do Carregado e de habitações em risco de inundação”, tendo sido ainda relocalizadas outras três. Para o efeito, foram criadas “duas zonas de concentração e apoio à população, refúgios para pernoita e alimentação de emergência, uma no Pavilhão Municipal da Castanheira do Ribatejo e outra no Pavilhão Municipal do Sobralinho”.
O presidente da Câmara destacou o empenho dos bombeiros e das forças de segurança, bem como das instituições do concelho, autarcas das freguesias afetadas, escolas, Proteção Civil Municipal e equipas municipais das áreas da Ação Social, Obras, Ambiente, Cultura, Fiscalização Municipal e dos SMAS.
Apesar da resposta local, o autarca apontou falhas a nível nacional, afirmando ter havido “incapacidade de meios de entidades importantes e nacionais, para assegurar serviços essenciais, como seja a E-REDES, tendo havido muitas famílias que ficaram privadas de eletricidade nas suas habitações”, bem como da IP, Infraestruturas de Portugal, “cuja intervenção nem sempre foi imediata na tomada de decisões”, situação que “nos obrigou a algumas medidas urgentes por nossa iniciativa”.
Paralelamente à intervenção no concelho, os bombeiros de Vila Franca de Xira prestaram apoio no distrito de Santarém, em Arruda dos Vinhos e em Leiria, neste último caso com técnicos para “fazer levantamentos e diagnósticos de construções afetadas pelas tempestades”.
A partir desta segunda-feira foram reabertos os caminhos ribeirinhos, com exceção do de Vila Franca de Xira, que “exige trabalhos mais pesados antes de estar em condições de ser plenamente utilizado”.
Fernando Paulo Ferreira sublinhou que “o trabalho está longe de estar terminado”, sendo ainda necessário prosseguir a recuperação de vias, avaliar possíveis novos deslizamentos de terras e concluir o diagnóstico de construções e habitações afetadas. O município está, juntamente com os restantes presidentes da Área Metropolitana de Lisboa, a “procurar obter do Governo um apoio suplementar que permita realizar as obras e investimentos necessários para trazer a normalidade aos nossos territórios”.






