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Vida dedicada ao campo salvou Francisco Lopes que passou 16 horas com temperaturas gélidas (com Fotos)

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Quase a completar 89 anos, Francisco Ramos Lopes, que esta segunda-feira se ausentou do Lar Nossa Senhora da Graça, para onde foi residir há cerca de quatro meses, foi “salvo” pelo facto de ter tido uma vida inteira dedicada ao campo, e por isso ter o corpo mais preparado para as difíceis condições climatéricas que encontrou durante as cerca de 16 horas, em que esteve perdido numa zona de mato e floresta, na freguesia das Brotas, concelho de Mora.

Eram cerca das 17.30 horas, desta segunda-feira, 9 de dezembro, quando as funcionárias da Santa Casa da Misericórdia de Mora deram o alerta de que o “Benjamim”, se havia ausentado, e não o encontravam nos seus locais habituais no lar.

Prontamente a GNR foi acionada, e com o apoio dos Bombeiros Voluntários de Mora iniciaram as buscas nas imediações do Lar, entre o Mercado Municipal e a Câmara Municipal de Mora.

Uma publicação nas redes sociais, e as notícias que começaram a ser difundidas alertaram também um conhecido de Francisco Lopes, que lhe havia dado boleia, a seu pedido, para uma zona no acesso à ribeira do Divor, onde este viveu a larga maioria dos seus 88 anos.

Rapidamente autoridades e voluntários se dirigiram para essa zona, onde metro a metro percorreram todos os sítios, com especiais atenções para zonas de difícil acesso.

O Comando da GNR de Évora, a quem cabe a coordenação deste tipo de operações, rapidamente ativou binómios homem/cão e as equipas de busca e resgate, que utilizaram drones com câmara térmica, permanecendo no terreno durante toda a noite, numa busca incessante pelo idoso que sofre de demência e suspeitavam que se tinha desorientado.

Pela manhã as equipas de busca foram reforçadas com patrulhas a cavalo, mais meios dos Bombeiros Voluntários de Mora e muitos populares, que percorreram montes e vales, em muitos dos trilhos que haviam sido noutros tempos percorridos pelo antigo trabalhador agrícola, a quem todos reconhecem muito afeto e amizade.

Cerca das 11.45 horas chegava ao posto de Comando, via rádio, a notícia que todos queiram ouvir. Uma equipa dos Bombeiros de Mora havia encontrado o idoso, num estradão na Herdade da Comenda, a cerca de cinco quilómetros do local onde se concentravam as buscas e a outro tanto do Lar onde residia.

Rapidamente os bombeiros ativaram os meios de socorro, que encontraram o idoso bastante debilitado, em hipotermia, mas num estando considerado aceitável, sobretudo se tivermos em conta que passou 16 horas, com temperaturas que durante a madrugada foram negativas e que há hora em que foi encontrado não ultrapassavam os 15 graus.

Socorrido pelos Bombeiros de Mora, com o apoio da Ambulância de Suporte Imediato de Vida da Ponte de Sor, foi transportado para o Hospital do Espírito Santo, em Évora, em estado considerado grave, mas sem correr risco de vida.

Alargar perímetro de buscas foi fundamental para encontrar o idoso

Luís Caramujo, Comandante dos Bombeiros de Mora, explicou ao NS que uma vez que não existiam indícios da passagem do idoso pelos locais das buscas, os operacionais decidiram “alargar o perímetro das buscas”, manobra que se veio a revelar fundamental.

Quando foi encontrado Francisco Lopes “praticamente não comunicou”, tendo recebido os primeiros socorros dos bombeiros, que até chegada dos meios diferenciados utilizaram os seus casacos para aquecer o idoso, que começou depois a reagir conforme o seu corpo ia ganhando temperatura.

Luís Caramujo destaca ainda “a excelente relação entre todas as entidades” que permitiu que rapidamente dezenas de operacionais dos Bombeiros e GNR estivessem no local a realizar as buscas, que nem durante a madrugada foram interrompidas.

O facto de existirem dezenas de operacionais envolvidos na operação, permitiu que o alargamento do perímetro de buscas fosse mais rápido, o que veio a ser fundamental para o desfecho feliz da operação.

Santa Casa abre inquérito após saída de utente do Lar

Manuel Caldas, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mora, acompanhou as operações durante a manhã desta terça-feira, e ao NS lamentou a ocorrência. “Nunca tivemos uma situação semelhante”, referiu, anunciando que a Santa Casa irá “abrir um inquérito, de modo a apurar eventuais falhas”, e poder assim corrigir os modos de funcionamento.

O responsável da Santa Casa salientou ainda que o lar “não é uma prisão”, pelo que aos utentes lhes são permitidas as saídas, ainda que monitorizadas pelas funcionárias.

Coruchense liderou operação de resgate

A operação de busca a Francisco Lopes foi liderada pelo Tenente António Tomás, do Comando de Évora da GNR.

António Tomás é natural de Coruche, e está desde há alguns anos colocado no Comando da GNR de Évora.

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