Uma carta aberta dirigida ao presidente do Mercadona, Juan Roig, denuncia alegadas más condições de trabalho numa loja da cadeia, apontando situações de pressão psicológica, desorganização interna e práticas consideradas abusivas por parte de chefias intermédias. Em resposta ao Notícias do Sorraia, a empresa rejeita ter recebido qualquer queixa formal relacionada com os factos descritos.
No documento, o autor — que se apresenta como trabalhador da empresa — começa por reconhecer a estabilidade proporcionada pelo emprego, mas descreve um cenário de “profunda degradação” das condições laborais. Entre as principais críticas estão a alegada utilização do prémio de desempenho como forma de pressão, a falta de critérios transparentes na progressão de carreira e a existência de um ambiente marcado por “medo” e “abuso de poder”.
A carta refere ainda uma sobrecarga de trabalho associada à saída de funcionários, práticas que considera artificiais para impressionar superiores hierárquicos e dificuldades na conciliação entre vida profissional e pessoal, incluindo alterações de horários sem aviso prévio. São também apontadas situações de alegada discriminação, desumanização e até episódios de xenofobia no local de trabalho.
Outro dos pontos destacados prende-se com o alegado bloqueio de comunicação interna, com o autor a afirmar que os trabalhadores são desencorajados de contactar níveis superiores da hierarquia, o que, na sua perspetiva, impede a resolução dos problemas.
Perante estas denúncias, o trabalhador apela à administração para a realização de uma auditoria interna e para a implementação de uma liderança “mais humana, justa e transparente”, defendendo a necessidade de combater eventuais abusos e valorizar o mérito.
O NS chegou à fala com vários trabalhadores da loja escalabitana que confirmaram alguns acontecimentos que levam a este descontentamento como o facto de não ser facilitada a flexibilidade de horário a trabalhadores que foram pais recentemente, mesmo quando a lei garante esse direito. Uma funcionária avançou mesmo para instâncias legais por não lhe ser atribuído horário flexível, acabando por ganhar a disputa legal e a empresa a ser obrigada a atribuir-lhe um horário com os descansos semanais ao fim de semana.
Contactada pelo Notícias do Sorraia, fonte oficial do Mercadona sublinha que a empresa disponibiliza vários canais de comunicação interna, incluindo uma linha telefónica e uma plataforma online, que permitem aos colaboradores apresentar sugestões ou preocupações, inclusive de forma anónima.
A mesma fonte garante que todas as comunicações são analisadas pelos departamentos competentes e afirma que, no caso concreto da loja em causa, não foi registada qualquer reclamação nos quatro anos desde a sua abertura.
A empresa destaca ainda os indicadores internos da equipa, referindo que a maioria dos trabalhadores recebeu o prémio anual por objetivos, que foram realizadas várias promoções internas e que o investimento em formação ultrapassa os 1.200 euros anuais por colaborador.





