As sucessivas tempestades que têm atingido o Ribatejo continuam a causar constrangimentos no concelho de Salvaterra de Magos, com a subida dos caudais do rio Tejo a agravar a situação nas zonas ribeirinhas. A presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Helena Neves, admite que ainda é cedo para um balanço definitivo, mas confirma prejuízos elevados.
“Um balanço eu diria que ainda não podemos fazer. É muito prematuro”, afirmou a autarca, explicando que, apesar de já existir um primeiro levantamento efetuado pelos agentes da Proteção Civil em todas as freguesias, “há muita coisa ainda que está submersa”.
A situação agravou se após nova subida do caudal do Tejo, motivada pela descarga de barragens espanholas. “As barragens espanholas estão a lançar imensa água e voltámos a ter uma subida dos caudais no rio Tejo, em Salvaterra de Magos”, referiu Helena Neves. Como consequência, “zonas ribeirinhas que já não tínhamos quase cheia voltaram a encher” e a estrada de acesso ao Escaroupim“ficou ainda mais submersa”. Também em Muge e noutras áreas próximas do rio a água voltou a ganhar terreno.
Quanto aos estragos provocados diretamente pela tempestade, a presidente aponta danos significativos em infraestruturas, sobretudo na rede viária. “Temos muita coisa, sobretudo danos em estradas e também algumas outras infraestruturas”, adiantou, acrescentando que a partir de segunda feira equipas técnicas municipais estarão no terreno para uma avaliação mais detalhada dos custos.
Sem avançar números concretos, Helena Neves reconhece que os prejuízos são avultados. “Eu não vou adiantar valores, mas sabemos que são várias centenas de milhares de euros”, declarou, sublinhando que o montante final poderá ainda aumentar quando as águas recuarem e for possível avaliar totalmente os danos.
A instabilidade meteorológica levou também ao adiamento das eleições na freguesia de Salvaterra. A autarca mostrou-se confiante de que, caso o tempo estabilize, será possível assegurar o voto no próximo domingo. “Conseguimos uma alternativa para que as pessoas do Escaroupim possam vir a Salvaterra votar”, explicou, referindo que o município terá uma carrinha para transportar eleitores com dificuldades de mobilidade, como já acontece habitualmente.
Outra decisão difícil foi o cancelamento da Feira de Magos. “Esta sucessão de intempéries trouxe-nos a este volume que pode vir a aumentar no tempo”, alertou, defendendo prudência até que haja uma avaliação completa da situação.
Marinhais, apesar de não ser atravessada por qualquer rio, foi uma das freguesias mais afetadas. Helena Neves reconhece a necessidade de intervenção estrutural. “Nós temos que caminhar no sentido de fazer um plano de drenagem aqui do nosso concelho, porque há situações críticas”, afirmou, alertando ainda para a importância de preservar linhas de escoamento naturais. “Há muita gente que tapa valas. Há valas que foram desviadas e esse trabalho tem de ser feito. Tem que se caminhar para isso. E nós vamos caminhar para isso.”





