Apesar de o cenário ainda estar longe da normalidade, a Ribeira de Santarém começa, lentamente, a dar sinais de recuperação. As águas começam a baixar, algumas zonas tornam-se acessíveis e alguns moradores evacuados vão regressando às suas casas para avaliar o que ficou para trás. Agora, mais do que olhar para a cheia, é tempo de começar a limpar, salvar o que ainda se pode aproveitar e contabilizar os estragos deixados pela água.
Margarida Penteado foi uma das pessoas obrigadas a sair de casa na quinta‑feira, 5 de fevereiro. Diz-nos que foi a primeira vez, em décadas a viver na Ribeira, que precisou de abandonar a habitação por causa do Tejo. No rés‑do‑chão, as marcas são claras: as paredes denunciam até onde chegou a água, os móveis estão inchados, os tapetes da garagem continuam encharcados e o cheiro a humidade toma conta do espaço. Margarida lembra que, apesar de a cheia não ter atingido o nível histórico de 1979, dentro de casa a água chegava bem acima do joelho, suficiente para destruir eletrodomésticos, estragar madeiras e deixar uma sensação de vulnerabilidade difícil de apagar.
Esta é apenas uma das muitas histórias de quem vive na linha da frente das cheias em Santarém. Num bairro onde quase todos têm memórias de outras inundações, o regresso a casa mistura alívio com preocupação: o rio está a descer, mas ninguém esquece quão rapidamente o Tejo pode voltar a subir.










