Os campinos concentraram-se este sábado, 4 de julho, na Praça do Município de Vila Franca de Xira, num dos momentos mais simbólicos da Grande Festa do Colete Encarnado, a tradicional Homenagem ao Campino.
Em tarde quente, a cerimónia voltou a juntar campinos, população e visitantes no centro da cidade, num momento de profundo respeito pela figura do homem do campo, pela sua ligação à lezíria, ao cavalo, ao gado bravo e à identidade ribatejana.
Este ano, o campino homenageado é Francisco Honrado, que recebe o Pampilho de Honra com a inscrição de Joaquim Carlos dos Santos, num tributo póstumo ao campino que dá rosto ao cartaz oficial da Festa do Colete Encarnado de 2026.
Francisco Manuel Guerreiro Honrado é apresentado como um homem moldado pela vida no campo. Filho de um maioral de vacas, cresceu entre gado bravo, cavalos e trabalho duro. Terminada a escola, aos 12 anos entrou na vida do campo como ajudante e, cinco anos depois, tornou se maioral de vacas, mantendo desde então uma ligação permanente à lezíria.
Ao longo da sua vida profissional trabalhou em várias casas agrícolas ligadas ao gado bravo, entre elas António José Teixeira, Rafael Vinhas, Pinto Barreiros e Vinhas, construindo uma carreira marcada pela experiência, resistência física e conhecimento profundo do campo.
A homenagem distingue uma vida de dedicação e fidelidade a uma forma de estar profundamente ligada ao Ribatejo. Para Francisco Honrado, ser campino é mais do que uma profissão. “O meu pai já era maioral de vacas. Quando acabei a escola fui para ajuda e depois passei a maioral. Foi sempre esta vida”, recorda.
O respeito pelo touro bravo é uma das marcas do seu percurso. Francisco Honrado fala do animal com admiração e prudência, lembrando que o campo exige leitura, disciplina e capacidade de observação. “O touro tem de ser respeitado. Há touros que deixam chegar mais perto e outros não. Temos de saber até onde podemos ir”, afirma.
A Homenagem ao Campino é um dos pontos altos do Colete Encarnado, festa maior de Vila Franca de Xira, e celebra todos aqueles que, ao longo de gerações, preservaram uma das tradições mais genuínas da região. A entrega do Pampilho de Honra simboliza esse reconhecimento público a homens que dedicaram a vida ao campo e à cultura ribatejana.
Num tempo marcado por mudanças sociais e pelo afastamento de muitas gerações da vida rural, o momento assume também um significado de memória e continuidade. A figura do campino mantém se como símbolo da identidade vilafranquense e ribatejana, representando valores como coragem, humildade, sacrifício e ligação à terra.
Ao homenagear Francisco Honrado e ao recordar Joaquim Carlos dos Santos, o Colete Encarnado presta tributo a uma geração que fez da lezíria a sua vida e que continua a ocupar um lugar central na memória coletiva de Vila Franca de Xira.













































