Sustentabilidade dá mote à Bienal de Coruche

11 Setembro 2021, 15:56 Não Por Redacção

A décima edição da Bienal de Coruche – Percursos com Arte tem início já a 18 de Setembro – dia de abertura, repleto de animação cultural, mostras, teatro, instalações e intervenções artísticas. Ao longo de um programa de duas semanas e meia são muitos e diversificados os eventos a decorrer por toda a Vila, ao ar livre e em infraestruturas municipais – diversos workshops, concertos, residências artísticas e espectáculos integrados na Programação em Rede da CIMLT, tudo a não perder até 5 de Outubro. Subordinada ao tema “Respirar Arte com Sustentabilidade”, esta edição da Bienal reforça a articulação simbiótica entre o objecto artístico e o espaço envolvente pela integração das obras no meio urbano e arquitectónico, aproximando público, artistas e cultura em Coruche. O tema e o roteiro aproxima-nos também de um futuro a céu aberto e sem máscaras que se deseja próximo.

Em 2021, “sustentabilidade” é a palavra-chave que centra o desafio da Bienal de Coruche no desenvolvimento sustentável e na economia circular – um desafio que se estende a todas as áreas de expressão artística, concretizáveis em espaço exterior. Das instalações artísticas à arte urbana ou do cinema às estátuas humanas, o programa completa-se ao longo de percursos urbanos e ribeirinhos que provocam novas abordagens em pleno coração de Coruche. Convidados a procurar soluções transformadoras pela aplicação de resíduos, os artistas da Bienal traduzem a sustentabilidade numa linguagem artística capaz de reciclar memórias e de recriar o presente, novo e sustentável.

A programação, que arranca ao final da tarde de sábado, dia 18 de Setembro, na Avenida do Sorraia, é desde logo marcada pela entrega do Prémio Distinção Bienal de Coruche na sessão de abertura, durante a qual, no âmbito da temática das Envolvências Locais, será ainda apresentado o livro infantil “Coruche, a Princesa”, da autoria de Ana Cláudia Cunha com ilustrações de Liliana Barata. O dia prossegue com a visita aos Percursos com Arte da Bienal, ao longo dos quais são exibidas as dez obras finalistas das instalações a concurso, mas também intervenções artísticas, em particular instalações e pintura mural dos artistas de arte urbana Styler, Smile, Mariana Duarte Santos, Ruído e Fedor. Nota também para as intervenções nas escadarias da Vila, dedicadas ao cinema, à música e ao património natural e cultural de Coruche, e no arco da Rua Direita, no qual se homenageiam os ilustres coruchenses Heraldo Bento e António da Barca.

Dando continuidade ao projecto Envolvências Locais, a Bienal apresenta também no dia inaugural a Mostra de Fotografia, a peça de teatro “Era uma vez… Coruche, a Princesa” pelo Grupo Poema na Vila, a estória em nove actos “Coruche, a Princesa” e diversas intervenções individuais pelo caminho. Ao anoitecer, têm palco as “Estátuas Vivas”, que culminam o trabalho desenvolvido no âmbito da residência artística Valoriz’arte, integrada no eixo Lezíria Imaterial da Programação em Rede da CIMLT. Por todo o percurso existe animação de rua com os grupos Human Art e Gaiteiros da Bardoada.

Sublinhe-se que as Envolvências Locais aproximam e envolvem a comunidade do Concelho desde 2013, nomeadamente escolas, associações, fotógrafos, artesãos e artistas em torno do tema da Bienal, que este ano assenta no mote “Respirar Arte com Sustentabilidade” – força motriz dos artistas com obras em exposição, que fotografam e criam os elementos decorativos das Envolvências Locais, sensibilizando para o tema da reutilização. Neste contexto, e também no âmbito da estória “Coruche, a Princesa”, a Vila é apresentada como princesa de um conto de fadas, aliando magia e fantasia à iconografia local.

Seguem-se dias de intensa actividade, desde logo a 25 de Setembro com os workshops “Os legumes não servem só para comer” e “Desenvolvimento de bioplástico”, ambos dinamizados por Mónica Gonçalves no Núcleo Rural. Ainda na noite de 25, destaque para a apresentação do projecto “Cinema Documental” no Pavilhão Desportivo Municipal, que, dinamizado pela associação Waves of Youth e integrado na Programação em Rede da CIMLT, redunda do trabalho desenvolvido em residência artística. Trata-se de uma curta-metragem documental que, assumindo o prisma da sustentabilidade, etnografa tradições, linguajares, histórias, costumes e práticas em extinção na Lezíria do Tejo.

Já na noite de 30 de Setembro, no Pátio do Museu Municipal, acontece o espectáculo “Dançar com… Vindimas”, também integrado na Programação em Rede da CIMLT e dinamizado pelo Centro Cultural Scalabitano. O serão familiar do dia seguinte, 1 de Outubro, é dedicado à caminhada nocturna “Contar corujas em Coruche”, pela qual uma equipa do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Évora dá a conhecer os métodos utilizados para identificar e contar aves de rapina nocturnas.

A 2 de Outubro a Bienal apresenta, à tarde, o workshop “História do desenvolvimento do couro de banana”, dinamizado no Núcleo Rural por Mónica Gonçalves, que apresenta o projecto PACOBA.TEX – couro vegan 100% natural feito a partir de casca de banana. À noite, a Sociedade de Instrução Coruchense (SIC) actua no pátio do Museu Municipal. O concerto, intitulado, “Concerto Encantado – Estórias de Príncipes e Princesas”, inspirado em musicais de referência e histórias de encantar, é acompanhado pela narração de “Era uma vez… Coruche, a Princesa” por José Sotero.

Segue-se, na noite de 4 de Outubro, na Praça de Touros, o espectáculo do sexteto be-dom, reconhecido colectivo de percussão e humor, aclamado pela utilização de objectos residuais enquanto instrumentos musicais, fazendo da sustentabilidade uma bandeira. Por fim, no dia 5 de Outubro, no pátio do Museu Municipal, é apresentado o Catálogo da Bienal e encerrada a programação com um espectáculo da Oficina d’Artes de Coruche (ODAC). Coruche é Arte a céu aberto.