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Soforem vence a 1.ª edição do Cine Tejo e confirma festival como nova referência internacional no Ribatejo

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Foto por: D.R.
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Encerrou no domingo a primeira edição do Cine Tejo – Festival Internacional de Curtas, que ao longo de vários dias transformou Benavente e Samora Correia num ponto de encontro do cinema internacional. O evento recebeu mais de 350 participantes, entre os quais se encontraram dezenas de realizadores, atores, técnicos, argumentistas e outros profissionais vindos de vários países, que além de apresentarem os seus filmes mantiveram contacto direto com o público, criando um ambiente de proximidade raro em festivais desta dimensão.

O programa foi marcado por masterclasses dedicadas à criação de efeitos especiais de caracterização, por encontros inspiradores como o de David Mourato e Maria João Bastos que mostraram como é possível sonhar no Ribatejo e chegar à Netflix, e ainda por uma homenagem a Fernando Galrito, que começou em Samora Correia e viria a fundar a MONSTRA, um dos maiores festivais de animação do mundo. A inovação tecnológica também esteve em evidência, com experiências de realidade aumentada e sessões de realidade virtual que permitiram ao público viver de forma imersiva diferentes obras concebidas em formato VR, reforçando a identidade do Cine Tejo como um festival que une tradição cinematográfica e práticas digitais emergentes.

Na cerimónia de encerramento, conduzida pelo Quarteto dos 3 irmãos Pedro e Paulo, Miguel Cardoso destacou a importância da multiculturalidade, sublinhando que num mundo marcado por guerras e intolerâncias é fundamental reconhecer a diferença como a maior riqueza comum e que o Cine Tejo demonstrou ser possível caminhar juntos através do cinema. O grande vencedor desta primeira edição foi o filme Soforem, que conquistou o Prémio do Público, o Prémio Direitos Humanos, o de Melhor Edição e, por fim, o Grande Prémio Cine Tejo no valor de mil euros. A obra, apresentada em estreia mundial, destacou-se pela qualidade técnica e pela força da sua narrativa. Realizado por Alejandro Fertero, Soforem conta a história de Musa, que ao dirigir-se ao Cartório para verificar a sua identidade descobre que não existe qualquer registo seu no sistema, desencadeando uma trama de contornos kafkianos.

Entre os prémios especiais atribuídos nesta edição destacou-se o Prémio Maria João Bastos para Melhor Atriz, entregue a Guadalupe Lancho pela sua interpretação no filme Frena, de Alejandro Salazar. O mesmo filme conquistou ainda os prémios de Melhor Realização e Melhor Argumento. O Prémio Fernando Galrito para Melhor Filme de Animação foi entregue à curta portuguesa Percebes, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, que já havia sido distinguida em Annecy e integra a shortlist dos Óscares 2025. Outros prémios principais distinguiram Bartogay Lake como Melhor Curta de Ficção e Sensible Soccers: Manoel como Melhor Curta Documental. Na área da realidade virtual venceu Human Violins Prelude e na categoria de Turismo destacou-se Sense of Freedom.

No campo das interpretações, Adriano Carvalho foi premiado como Melhor Ator pela sua participação no filme Na Hora de Pôr a Mesa, Éramos 5, realizado por Paulo Oliveira e inspirado no poema homónimo de José Luís Peixoto. Bartogay Lake dominou ainda as categorias técnicas, arrecadando os prémios de Melhor Cinematografia e Melhor Caracterização. Outras distinções foram atribuídas a filmes como The Hunt, Cups, Samba Infinito, Saturn e The Steak. Houve também espaço para reconhecer jovens talentos, com The Bird from Within a vencer o prémio de Melhor Filme de Animação Estudantil, e ainda para atribuir menções honrosas a Toque de um Estranho, Family Portrait e First Date.

Para Afonso Cardoso, diretor do festival, os prémios monetários atribuídos nesta primeira edição são um sinal claro do compromisso em valorizar o trabalho dos cineastas. Já Paulo Viegas, também diretor do festival, destacou que a qualidade excecional das obras em competição superou todas as expectativas, reforçando a projeção internacional do Cine Tejo. Com filmes já distinguidos em certames de referência como Cannes, Annecy e Slamdance, a primeira edição do festival confirmou-se como uma nova marca cultural no Ribatejo e uma plataforma de encontro e difusão do cinema mundial.

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