A Greve Geral desta quinta-feira, 11 de dezembro, teve no distrito de Santarém um dos seus palcos mais expressivos. Ao longo da noite e da manhã, piquetes de greve distribuídos por empresas e serviços públicos testemunharam uma adesão que a União de Sindicatos de Santarém descreve como “muito elevada”. O coordenador distrital, Mário Santos, fez ao final da manhã um balanço considerado “muito positivo” este dia de paralisação.
“A adesão tem sido muito grande”, afirmou ao NS, explicando que vários sectores apresentaram níveis de participação entre 80 e 90 por cento. Na saúde, a adesão atingiu valores particularmente elevados. “Tivemos turnos no Hospital de Santarém com 94,4% de trabalhadores em greve. Isto mostra que esta greve foi compreendida”.
Segundo o dirigente sindical, também a educação registou forte impacto. “Os agrupamentos de escolas no distrito estão fechados, à exceção de dois que funcionam de forma parcial”, precisou. Transportes e empresas privadas apresentaram igualmente “uma adesão significativa”, facto que, para Mário Santos, demonstra “a seriedade com que os trabalhadores encararam esta jornada”.
A noite foi longa para muitos elementos dos sindicatos. “Desde as 19 horas de ontem (10 de dezembro) montámos piquetes para os trabalhadores que entravam no dia dez e que já eram abrangidos pela greve a partir do fim do dia. Estivemos na Mercadona, na Rodoviária, no Hospital de Santarém, nas Carnes Nobre, na Sumol Compal, entre outros locais. Fizemos piquetes quase contínuos”, relatou.
Confrontado com o facto de não haver locais com menos de 50 por cento de adesão, Mário Santos considerou que o resultado representa “uma vitória”. “Em democracia, quem tem mais de 50 por cento ganha”, afirmou. “Mesmo nos sítios menos participados, continuámos a ter a maioria dos trabalhadores em greve”. Para o coordenador sindical, esta resposta só pode ser lida como “uma demonstração clara de que os trabalhadores rejeitam o pacote laboral apresentado pelo Governo”.
O dirigente criticou ainda as condições laborais existentes no distrito, referindo que “a produtividade tem crescido muito mais do que os salários e do que as condições dadas aos trabalhadores”. Apontou o caso de grandes empresas da região. “Temos empresas com lucros de milhões e produtividade muito elevada, no entanto as condições dos trabalhadores não acompanham essa realidade”, afirmou. “Aquilo que está em cima da mesa neste pacote laboral desequilibra ainda mais a balança a favor das entidades patronais. Não se aumenta produtividade cortando direitos sindicais, aumentando precariedade ou impedindo trabalhadores despedidos sem justa causa de serem reintegrados”.
O sindicalista defendeu que o país deveria aproximar-se das “melhores sociedades do mundo”, onde se discute “a semana de quatro dias ou jornadas de seis horas”. Em vez disso, lamentou que Portugal “não consiga reduzir as 40 horas semanais” e mantenha “trabalhadores com baixos salários e situações precárias”.
A concentração realizou-se junto ao W Shopping, em Santarém, mas não houve mais ações no distrito durante o dia. “Vamos descansar. Há gente que não dorme desde ontem para garantir a presença nos piquetes”, disse. Ainda assim, Mário Santos lembrou que houve trabalhadores que se deslocaram a Lisboa onde decorreu a grave manifestação nacional.
A jornada de greve encerrou no distrito de Santarém com o sentimento de que, segundo o coordenador sindical, “os trabalhadores falaram a uma só voz”.





