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Sindicato critica criação dos Bombeiros do Couço e acusa Câmara de Coruche de abandonar os Municipais

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Foto por: Google Maps
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O Sindicato Nacional dos Bombeiros Sapadores (SNBS) criticou a criação da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Couço e acusou a Câmara Municipal de Coruche de falta crónica de investimento nos Bombeiros Municipais, considerando que a situação resulta de um problema antigo na resposta operacional do concelho.

Em comunicado, o SNBS afirma que tem vindo, “ao longo dos anos”, a alertar para a falta de investimento da autarquia nos Bombeiros Municipais de Coruche, situação que, segundo o sindicato, tem provocado “diversos constrangimentos” e colocado em causa a capacidade de resposta operacional do corpo de bombeiros, com impacto direto no socorro prestado à população, “nomeadamente na freguesia do Couço”.

A tomada de posição surge depois de ter sido formalmente constituída, na passada quarta feira, 17 de junho, a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Couço, criada por um grupo de moradores que pretende responder à falta de socorro de proximidade sentida naquela freguesia do concelho de Coruche, com pouco mais de dois mil habitantes.

Para o SNBS, a criação de uma nova associação humanitária não é a solução mais adequada. O sindicato considera que “teria tido mais lógica” que os moradores se juntassem à petição lançada pelo próprio SNBS e exigissem, em conjunto, que a Câmara Municipal de Coruche investisse nos Bombeiros Municipais e avançasse com a reativação da secção do Couço.

O sindicato critica também o facto de a nova associação já ter solicitado apoio à Câmara Municipal de Coruche, nomeadamente financeiro, para iniciar a sua atividade operacional. Para o SNBS, trata se de uma situação “caricata”, na qual “a fatura acabará inevitavelmente por recair sobre os contribuintes”.

A posição do sindicato surge num momento em que os promotores da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Couço defendem precisamente a necessidade de garantir uma resposta de emergência mais próxima da população. Paulo Rosado, presidente da nova associação, afirmou aquando da constituição formal da entidade que o objetivo passa por recuperar o socorro no Couço e evitar que a freguesia continue dependente de meios deslocados de outras corporações.

O Couço é atualmente servido pelos Bombeiros Municipais de Coruche, mas o défice de recursos humanos tem levado a que, em vários casos, o socorro seja prestado pelos Bombeiros Voluntários de Mora ou por outras corporações ainda mais distantes. Para Paulo Rosado, a prioridade é garantir “uma ambulância de socorro 24 horas por dia” e uma viatura ligeira de combate a incêndios para uma primeira intervenção nos teatros de operações.

O dirigente da nova associação tem defendido que o socorro não pode demorar “três quartos de hora, uma hora, uma hora e meia”, sublinhando que a resposta deve chegar à vila do Couço em poucos minutos e às aldeias mais distantes da freguesia, como Volta do Vale, em tempos compatíveis com uma situação de emergência.

O SNBS, contudo, entende que a resposta deve passar pelo reforço dos Bombeiros Municipais de Coruche e não pela criação de uma nova estrutura associativa. O sindicato lembra que a Câmara Municipal de Coruche tem “o privilégio, cada vez mais raro”, de possuir um corpo de bombeiros integrado na sua própria estrutura orgânica, o que, no seu entender, permitiria desenvolver uma política local de proteção civil “alinhada, articulada e eficiente”.

A organização sindical considera que este modelo deveria ser valorizado e reforçado, ao contrário do que acontece em muitos municípios que dependem de associações humanitárias para assegurar o socorro às populações. No caso de Coruche, defende o SNBS, a existência dos Bombeiros Municipais deveria permitir uma resposta mais direta e estruturada, desde que acompanhada do investimento necessário em recursos humanos e meios operacionais.

A nova Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Couço pretende agora preparar dossiês, angariar voluntários e procurar formalizar um protocolo com a Câmara Municipal de Coruche. Uma das hipóteses apontadas pelos promotores passa pela utilização das antigas instalações da secção dos bombeiros no Couço, propriedade da autarquia e desativadas há vários anos.

Paulo Rosado reconheceu que a nova associação precisa de apoio para avançar, admitindo que uma estrutura criada agora “não tem condições financeiras para o que quer que seja”. O responsável apontou a necessidade de instalações, viaturas, obras no antigo espaço dos bombeiros e apoio para a criação das condições mínimas de funcionamento.

O presidente da Câmara Municipal de Coruche, Nuno Azevedo, já tinha manifestado abertura para colaborar com o grupo, admitindo que a criação de um corpo de bombeiros voluntários no Couço poderá ser uma das soluções para a problemática do socorro no concelho.

Apesar dessa disponibilidade, o SNBS mantém uma posição crítica e afirma acompanhar o processo “com atenção e preocupação”. O sindicato critica a criação de mais uma associação humanitária de bombeiros, mas dirige a sua crítica mais dura à Câmara Municipal de Coruche, que acusa de não investir de forma suficiente nos seus Bombeiros Municipais.

Para o SNBS, a falta de investimento da autarquia “está na origem deste problema” e expõe fragilidades no setor dos bombeiros em Portugal, bem como na forma como autarcas e populações encaram a organização do socorro.

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