A Câmara de Santarém vai manter ativos os centros de acolhimento criados devido à interrupção do fornecimento de energia elétrica provocada pela depressão Kristin até que a reposição seja “regular e estável”, disse hoje o presidente do município.
“Não estamos a desmobilizar os centros de acolhimento até percebermos que o fornecimento de energia é regular e estável”, disse o presidente da Câmara à Lusa, sublinhando que a reposição parcial verificada durante a madrugada “ainda não permite ter garantias” de estabilidade.
Os centros de acolhimento foram instalados nas zonas mais afetadas e estão disponíveis nos Bombeiros Voluntários de Pernes (Arneiro das Milhariças), no edifício sede da Associação da Gançaria, no Pavilhão Desportivo de Alcanede, na Casa do Povo e na Junta de Freguesia dos Amiais de Baixo, no Amiense, na Associação Cultural e Recreativa da Abrã e no espaço Alvitejo, em Vale de Figueira.
Segundo João Leite, estas foram as áreas onde, na tarde e noite de quinta‑feira, se registaram “as situações mais críticas de inexistência de fornecimento de energia”, o que justificou a necessidade de criar espaços equipados para assegurar “banhos de água quente, aquecimento de refeições, arcas de congelação para evitar a perda de produtos alimentares e condições de conforto básicas”.
Durante a noite e madrugada, equipas municipais acompanharam os trabalhos da empresa distribuidora de energia, que “conseguiu repor o fornecimento” em grande parte das zonas mais críticas, nomeadamente na Gançaria e em Alcanede.
A freguesia de Vale de Figueira permanece ainda com falhas de energia, estando equipas no terreno, adiantou o autarca.
O governante destacou o “envolvimento muito grande” das corporações de bombeiros, das juntas de freguesia e de empresas locais na logística dos centros, tendo uma delas disponibilizado equipamentos de congelação.
“Com estas sinergias, conseguimos dar resposta à população”, afirmou João Leite.
A ativação do plano municipal, acrescentou, garante também “cobertura administrativa e política” que poderá permitir, se necessário, vir a acionar mecanismos de apoio financeiro nacional, como é o caso da ponte da Panela, cuja circulação permanece encerrada.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.





