No dia em que Samora Correia cumpria 516 anos e Foral, e em frente à última morada dos Paços de Concelho, foi formalmente apresentado o Movimento Cívico Mais Samora, Pela Restauração do Concelho, uma nova estrutura de cidadãos que pretende relançar a reivindicação pela restauração do concelho de Samora Correia, defendendo maior autonomia administrativa, gestão de proximidade e um novo ciclo de afirmação territorial para a cidade.
Na apresentação pública, os promotores, de várias sensibilidades políticas e idades, sublinharam que o movimento nasce da vontade de cidadãos “que reconhecem a importância da nossa identidade histórica, da nossa dimensão territorial e da força social e económica que a cidade representa no contexto regional”.
Segundo a nota introdutória lida na sessão, o principal objetivo passa por “promover a restauração do concelho de Samora Correia”, uma aspiração que, defendem, tem “raízes históricas profundas” e que assenta hoje numa realidade marcada por “uma população crescente, uma economia dinâmica, uma identidade própria e necessidades administrativas que exigem maior autonomia e capacidade de decisão local”.
Os responsáveis pelo movimento consideram que Samora Correia reúne condições para recuperar esse estatuto, devolvendo aos habitantes “uma gestão mais próxima, eficiente e alinhada com as especificidades do território”.
Durante a sessão, foi explicado que esta é já a quarta tentativa organizada para relançar a causa. Carlos Pernes, um dos integrantes do movimento, recordou anteriores processos e defendeu que o atual contexto poderá ser mais favorável ao avanço da reivindicação. “Desta vez achamos que há mais condições reunidas, atendendo não só às razões históricas, mas também aos investimentos futuros que vão ser efetuados na nossa freguesia, nomeadamente o aeroporto e toda a envolvência que vai ter”, afirmou.
Sublinhou ainda que a intenção do grupo é colocar-se “à disposição da população no sentido de tornarmos Samora Correia com uma decisão mais próxima, mais ágil e que tenha reflexos nas boas condições de vida das pessoas”.
A componente histórica foi um dos eixos centrais da apresentação. Foi também relembrado que Samora Correia foi concelho até ao século XIX e defendeu que a atual iniciativa não deve ser vista como uma criação administrativa nova, mas sim como uma reposição histórica. “Não é uma elevação, é uma restauração”, afirmou, sustentando que a perda desse estatuto ficou por resolver ao longo de sucessivas gerações.
Os promotores recordaram ainda anteriores tentativas em 1982 e em 2002, sublinhando que, em momentos anteriores, o processo chegou a reunir apoio político e recolha significativa de assinaturas. “Da última vez, a petição recolheu 6300 assinaturas”, foi referido durante a sessão, acrescentando que o novo movimento quer agora voltar a medir, de forma rigorosa, o apoio efetivo da população.
A recolha desse apoio popular será, aliás, um dos primeiros passos do processo. Os responsáveis explicaram que a iniciativa está ainda numa fase inicial e que, antes de qualquer avanço institucional, será necessário consolidar organização interna, estudos e bases legais. “Primeiro há questões concretas que vamos fazer e vamos apurar, nomeadamente a vontade popular”, afirmaram.
Apesar de integrar pessoas com diferentes percursos e sensibilidades, o movimento insiste no seu carácter apartidário. “Aqui não somos políticos, somos cidadãos”, afirmou Paula Rego, acrescentando que o objetivo é “defender aquilo que nos orgulha, que é a nossa terra”. Na mesma intervenção, foi ainda deixada uma garantia: “Não lutamos por lugares. Não lutamos por nada que não seja levar Samora mais à frente.”
A organização anunciou que pretende desenvolver ações públicas, sessões de esclarecimento, iniciativas comunitárias e um trabalho contínuo de recolha de contributos da população. “Queremos envolver a comunidade, dialogar com as instituições e contribuir para um debate sério sobre a organização territorial, desenvolvimento local e participação cívica”, referiu o movimento.
Questionados sobre contactos já realizados com entidades oficiais, os representantes admitiram apenas uma abordagem preliminar ao presidente da Junta de Freguesia, sublinhando que o processo ainda está numa fase embrionária. “É um processo dinâmico”, explicaram, sendo garantido que todas as etapas legais serão cumpridas no momento próprio.
Na reta final da apresentação, os promotores reforçaram o apelo à mobilização da população e à adesão de simpatizantes. “Temos que ser muitos para conseguirmos provar a nossa força”, afirmou uma das responsáveis, defendendo que o futuro da iniciativa dependerá do envolvimento dos samorenses.
O movimento considera que o crescimento demográfico, a dimensão do território e os investimentos previstos para a região reforçam a oportunidade desta nova tentativa. “Somos a sexta freguesia maior do país”, foi destacado, numa mensagem final de confiança de que Samora Correia poderá voltar a afirmar-se administrativamente no mapa do país.






