Samora Correia cumpre desejo de poeta popular no centenário da sua morte

23 Agosto 2021, 15:46 Não Por Redacção

A cidade de Samora Correia irá realizar um dos últimos desejos do poeta popular e fadista Ginguinha, no ano em que se assinala o centenário da sua morte, a 19 de Agosto de 1921, colocando os seus restos mortais no cemitério da cidade e erigindo um mausoléu em homenagem a António Ginguinha.

Os impulsionadores da iniciativa, a poetisa popular Piedade Salvador e o investigador António Cardoso avançaram com a ideia, contando agora com o apoio da Junta de Freguesia de Samora Correia. “Estamos a cumprir o que ele tanto pediu. O seu lugar é em Samora Correia”, salienta Piedade Salvador.

António Ginguinha era um boémio irreverente, poeta e cantor, que nasceu em Samora Correia em 1865, vindo a falecer aos 56 anos na cidade de Vila Franca de Xira, onde trabalhava, na casa de José Pereira Palha Blanco, o agricultor e ganadeiro que deu nome à Praça de Touros de Vila Franca de Xira.

Uma das suas últimas quadras deu o mote à iniciativa dos samorenses, que estão agora apostados em cumprir o desejo de Guinguinha, de ficar sepultado na sua terra natal. “Trago comigo um desejo, Que vos vou dizer agora, Atravessem comigo o Tejo, E levem-me para Samora”, escreveu o poeta popular, na revelação do seu último desejo em vida.

As ossadas do poeta e boémio encontram-se já às ordens da Junta de Freguesia de Samora Correia que irá agora colaborar na Homenagem.

Foi um longo percurso para chegarmos a esta fase. A Câmara Municipal de Vila Franca, responsável pelo cemitério onde está sepultado, colaborou desde o primeiro momento e contamos com apoios da autarquia de Samora e de mecenas para a construção do monumento simples à imagem do Ginguinha”, explica António Cardoso que investiga o passado de Guinginha há cerca de dois anos. “O pai António dos Santos trabalhava nos barcos que faziam a ligação de Samora com Vila Franca e Lisboa. A vida familiar, como a de quase todos, na época era de pura sobrevivência, trabalhava-se para comer. Cedo começou a acompanhar o pai nos barcos, contribuindo desta forma para melhorar o sustento da família”, revela.

Foram muitas as vivências de Ginguinha na vila de Samora Correia onde se estabeleceu numa taberna ao cimo da rua Larga, actual rua 31 de Janeiro, onde correm touros bravos nas festas de Agosto. Ginguinha era um rapaz franzino mas de raça, nunca frequentou a escola e preocupava-se em ajudar os pais e os irmãos mais novos

A vida do poeta popular e cantor de improviso está ligada às zonas ribeirinhas. Logo que desembarcava da fragata, via-se atraído pelas tabernas e os retiros, onde perdia a noção do tempo a cantar e a improvisar até alta madrugada.

O seu aspecto frágil com um andar bamboleante do tipo ginga, levaram a que lhe começassem a chamar de Ginguinha. E assim nasceu o nome artístico, que ainda hoje é figura em Samora Correia.

A Junta de Freguesia de Samora Correia irá agora auxiliar na Homenagem, que em breve será anunciada.


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