O encerramento da 30.ª edição do Mês da Enguia, em Salvaterra de Magos, confirmou a importância crescente deste evento na afirmação do concelho como destino gastronómico e turístico. A iniciativa, que voltou a mobilizar restaurantes, visitantes e entidades locais, serviu também de palco para o anúncio de novas perspetivas de desenvolvimento para o território.
Presente na sessão de encerramento, Pedro Beato, Vice-presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, destacou o papel estruturante do certame ao longo das últimas três décadas, sublinhando a sua relevância na promoção da região. “Estamos a falar de um evento que já vai na trigésima edição e que é, claramente, uma grande âncora de atração. Funciona como um motor de comunicação e, sobretudo, de motivação para que as pessoas visitem este território”, afirmou.
O responsável considerou que, apesar das condicionantes impostas pelas condições meteorológicas adversas que marcaram o mês de fevereiro, a edição deste ano voltou a demonstrar a resiliência e a capacidade de adaptação do concelho. “Não estamos habituados a episódios de intempérie com esta intensidade, que tiveram impacto não só no turismo, mas também na atividade agrícola e na rede viária. Ainda assim, o município conseguiu reagir e organizar o evento em março, o que é de saudar.”
Um dos aspetos mais valorizados por Pedro Beato foi a forte adesão do setor da restauração, com 19 estabelecimentos envolvidos. Para o vice-presidente da entidade regional de turismo, esta ligação entre iniciativa pública e agentes privados é determinante para o sucesso. “Este entrosamento com os restaurantes faz toda a diferença. As pessoas vêm por causa do evento, mas regressam ao longo do ano, porque sabem que existe uma oferta consolidada. Isso cria fidelização e valor para o território.”
O Mês da Enguia assume, assim, um papel que vai além da promoção gastronómica, funcionando como um verdadeiro catalisador económico. Ao atrair visitantes, contribui para dinamizar o comércio local, valorizar os produtos endógenos e reforçar a identidade cultural da região do Ribatejo.
Durante a sua intervenção, Pedro Beato revelou ainda que estão em curso novas iniciativas estratégicas em parceria com a autarquia de Salvaterra de Magos, com especial enfoque no reforço da oferta turística, nomeadamente ao nível do alojamento.
“Estamos a trabalhar no sentido de identificar oportunidades concretas para a criação de novas unidades hoteleiras, mas não nos limitamos a isso. O nosso objetivo é preparar um dossiê completo, alinhado com aquilo que os promotores procuram atualmente”, explicou.
Segundo o responsável, este trabalho inclui não só a identificação de localizações estratégicas, mas também o desenvolvimento de propostas conceptuais que permitam aos investidores visualizar o potencial dos projetos. “Criamos propostas de design, conceitos de negócio e abrimos canais diretos entre o município e os investidores. Essa componente visual e estratégica é hoje essencial para captar investimento.”
A necessidade de aumentar a capacidade de alojamento foi igualmente sublinhada como um dos desafios prioritários para o concelho e para a região. “Precisamos de mais camas, e sobretudo de camas qualificadas, para responder à procura e para que eventos como este possam ter um impacto ainda maior. Só assim conseguimos transformar a procura em permanência e em retorno económico efetivo.”
Pedro Beato destacou ainda que este tipo de iniciativas só atinge o seu verdadeiro potencial quando integrado numa estratégia mais ampla de desenvolvimento turístico. “Há todo um trabalho feito pelos municípios, pelo setor e por toda a cadeia de valor do turismo. O reforço da oferta de alojamento é fundamental para potenciar esse esforço e garantir mais valor acrescentado.”
Num ano marcado por desafios inesperados, o balanço final do Mês da Enguia revela-se claramente positivo, reforçando o papel de Salvaterra de Magos como um dos principais polos de dinamização turística do Ribatejo. A aposta na gastronomia, aliada a uma estratégia de captação de investimento e qualificação da oferta, aponta agora para um novo ciclo de crescimento e afirmação do território.




