O NS tem assistido a várias reuniões públicas do Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, que junta os 11 presidentes de Câmara dos municípios da Lezíria do Tejo e o secretário-geral da CIMLT, António Torres. Uma das particularidades destas reuniões é a falta de debate dos pontos da ordem de trabalhos, que não vai muito além de uma breve explicação feita pelo secretário-geral ou pelo presidente da CIMLT, Pedro Ribeiro, que também preside a Câmara Municipal de Almeirim e do tradicional “quem vota contra? Quem se abstém? Aprovado por unanimidade”.
Embora os autarcas se reúnam na sede da CIMLT, no CNEMA, durante várias horas em que levam a cabo outros trabalhos, apenas o período destinado ao Conselho Intermunicipal é aberto ao público e à comunicação social. O que deveria ser um momento de transparência e abertura a quem mostra interesse no trabalho da entidade pública que gere um orçamento de 14 milhões de euros, torna-se num momento de “cumprir calendário”, como, em declarações ao NS, assumiu Pedro Ribeiro.
O autarca explicou que a discussão é feita no restante tempo que os autarcas estão sentados à mesa, no período em que a porta está fechada à comunidade e à comunicação social.
“Vamos discutindo e debatendo conforme vão surgindo os temas”, explicou Pedro Ribeiro. Mesmo quando não são debatidos ao longo do dia, os pontos da ordem de trabalhos acabam por ser aprovados sem grande debate. Ainda na última sessão do órgão constava da ordem de trabalhos a aprovação do regulamento do modelo de governança do Parque Natural da Serra d’Aire e Candeeiros, do qual fazem parte os municípios de Santarém e Rio Maior. Uma vez que Filipe Santana Dias não estava presente nem representado na sessão e o Município de Santarém fez-se representar pelo vereador Carlos Martinho, em vez de contar com a habitual presença do presidente João Leite, a sugestão do autarca almeirinense, que também comanda a CIMLT, foi aprovar o ponto e caso houvesse alterações a fazer traria-se numa sessão futura para retificação, acabando por ser aprovado por unanimidade de presenças.
Este modelo de funcionamento do órgão, debatendo os assuntos da ordem de trabalhos de uma reunião pública e que se realiza de porta aberta à comunidade, bem como à comunicação social, deixa a transparência dos processos e projetos na CIMLT algo perturbada, deixando a impressão que se sente uma resistência em divulgar os detalhes dos projetos e processos debatidos à comunidade.





