O secretário-geral do PCP criticou hoje “a estranha unidade” que se verificou em Benavente entre os partidos da oposição para “atacar a CDU”, numa alusão a uma polémica relativa à alegada construção de uma mesquita.
“Nós não podemos deixar de registar alguma estranheza – ou não, talvez não – uma estranha unidade que se criou de forças aparentemente, ou apresentadas, como opostas umas das outras… Mas, caramba, quando é para atacar a obra coletiva da CDU, juntam-se todos à volta uns dos outros para atacar”, afirmou Paulo Raimundo num comício na freguesia de Samora Correia, concelho de Benavente.
O secretário-geral do PCP aludia a uma polémica relativa à alegada construção de uma mesquita num terreno em Samora Correia, no concelho de Benavente, projeto que a Câmara, gerida pela CDU, diz nunca ter recebido.
Em junho, o vereador do PS na autarquia, Pedro Gameiro, que agora se candidata à Câmara, participou numa manifestação contra a alegada construção da mesquita, assim como dirigentes locais do PSD, CDS-PP e Chega, segundo o jornal regional Mirante.
No seu discurso, Paulo Raimundo manifestou-se convicto de que o povo de Samora Correia, “na hora certa, como fez sempre, saberá distinguir a demagogia e a mentira, da verdade e do trabalho”.
“Sabemos bem o que eles queriam. Sabemos que gostariam que houvesse aqui uma gestão diferente, não ao serviço de todos, mas ao serviço de uns poucos. Sabemos que gostariam que a Câmara Municipal de Benavente abdicasse do seu papel mobilizador, reivindicativo, de exigir ao Governo e aos governos que cumpram o seu papel”, frisou.
O secretário-geral do PCP defendeu que, devido ao trabalho da CDU, que gere ininterruptamente a autarquia desde 1979, “Benavente se tornou apetecível para o negócio, para a especulação”, abordando depois o facto de que o futuro Aeroporto de Alcochete irá ser construído neste concelho.
“Também é apetecível, tendo em conta aquilo que se avizinha e esperemos que se concretize, que é a construção do aeroporto porque essa é uma obra exigida pelas populações, que vai servir às populações, e que queremos que só sirva, no fundamental, às populações e não à especulação e à negociata como alguns se preparam para fazer”, disse.
Paulo Raimundo salientou assim que percebe “bem o esforço e os interesses que estão por detrás das forças” que criticaram a CDU, mas deixou um aviso.
“Nós não admitimos a calúnia, a mentira, a demagogia, o ódio, o ataque pessoal. Isso nós não admitimos”, disse, salientando que a CDU reconhece que “não fez tudo bem” no concelho.
“Mas há um aspeto que também é preciso sublinhar: é que esses todos que andam aí na calúnia, na mentira, a tentar denegrir a nossa imagem, gostariam de apontar insuficiências estruturais ao nosso trabalho. Gostariam, mas não podem, porque não há deficiências estruturais na nossa obra e no nosso trabalho aqui no concelho”, disse.
Depois, o secretário-geral do PCP pediu aos militantes da CDU no concelho para que, nestes últimos dias de campanha, redobrem os esforços de mobilização, ainda que já tenham feito “muito contacto e muitos quilómetros”.
“Se calhar já doem as pernas… Arranje-se o Voltaren para esfregar se for preciso. Se calhar já não há voz suficiente. Há umas pastilhas boas também na farmácia para resolver esse problema. Encontre-se o Voltaren, comprem-se as pastilhas. Daqui até domingo, multipliquemos os contactos”, pediu.
Paulo Raimundo desafiou a população de Benavente a, perante os “apelos para a divisão”, responderem como “sempre responderem: com unidade em torno” do projeto e da obra da CDU.





