O Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública de Santarém (PSP) celebrou esta quarta-feira, 20 de maio, os 150 anos da sua fundação com uma sessão solene realizada no Convento de São Francisco, numa cerimónia marcada pela evocação histórica da instituição, pela homenagem aos profissionais da PSP e pelos vários alertas relacionados com os desafios da segurança pública no distrito.
A cerimónia reuniu representantes do Governo, da Direção Nacional da PSP, autarcas de vários concelhos do distrito, magistrados, forças de segurança, militares, dirigentes sindicais, antigos comandantes e dezenas de agentes e funcionários da corporação.
Ao longo da sessão foi recordado que Santarém foi o sexto distrito do país a criar um corpo de polícia, em maio de 1876, iniciando atividade com 24 agentes. Décadas mais tarde, em 1927, os diversos corpos policiais acabariam integrados na estrutura nacional da Polícia de Segurança Pública.
Na intervenção de abertura, o comandante distrital da PSP de Santarém, superintendente Luís Serafim, destacou a evolução da instituição ao longo de século e meio e a adaptação permanente às novas exigências da sociedade.
“Celebramos a vida de uma organização que serve o próximo e que evoluiu ao longo de século e meio, na justa medida da evolução da sociedade e dos respetivos contextos históricos”, afirmou.
O responsável sublinhou que “a polícia de hoje não é a polícia de há 150 anos”, defendendo que atualmente a PSP desempenha funções muito mais abrangentes do que o mero combate à criminalidade.
“A polícia detém atualmente um conjunto de atribuições muito diversificadas”, afirmou, apontando áreas como o policiamento de proximidade, o trânsito, a segurança escolar, os grandes eventos culturais e desportivos ou o apoio a populações vulneráveis.
Apesar de destacar a redução da criminalidade violenta e grave superior a 20% na área do comando distrital, o comandante deixou vários alertas relativamente à escassez de efetivos e à dimensão territorial sob responsabilidade da PSP. “Santarém possui uma área vastíssima, apenas superada pelos comandos metropolitanos de Lisboa e Porto”, afirmou, considerando que a dimensão territorial do distrito “terá definitivamente de começar a merecer atenção”.
Segundo explicou, o crescimento populacional e o movimento pendular entre Santarém e Lisboa estão a transformar o distrito numa nova centralidade urbana, aumentando as exigências colocadas à PSP. “Santarém e muitas cidades deste distrito são cidades apetecíveis para trabalhar, viver e usufruir da vida”, afirmou, defendendo “a reparação do défice crónico” de recursos humanos.
Outro dos temas centrais da cerimónia foi a expansão dos sistemas de videovigilância urbana. O comandante distrital revelou que estavam projetadas cerca de 800 câmaras de videovigilância em toda a área sob responsabilidade do comando. “Desejávamos que fossem encaradas como a mera extensão do olhar de um polícia”, afirmou.
Segundo explicou, atualmente apenas Santarém dispõe do sistema em funcionamento, estando em curso a renovação da autorização e a expansão da rede.
O comandante destacou igualmente as obras realizadas nos últimos anos nas instalações do comando distrital, incluindo modernização de espaços interiores, reorganização de arquivos, melhoria das condições de atendimento e recuperação de áreas degradadas.
“Não tenho dúvidas de que nos estamos a preparar para os próximos 150 anos”, declarou.
O presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite, reforçou a importância da cooperação entre a autarquia e a PSP, considerando que “a segurança não é um dado adquirido”. “A segurança constrói-se todos os dias, muitas vezes de forma silenciosa, através do profissionalismo, da capacidade de prevenção, da proximidade e da presença permanente no terreno”, afirmou.
O autarca destacou os investimentos municipais na videovigilância e no projeto de reabilitação do edifício do comando distrital, defendendo que “as instituições também comunicam através dos espaços que ocupam”., “cuidar desses espaços é valorizar a missão que representam”, acrescentou.
João Teixeira Leite deixou ainda palavras de reconhecimento aos agentes e respectivas famílias. “Há homens e mulheres que diariamente enfrentam situações difíceis, muitas vezes invisíveis para a maioria das pessoas”, afirmou.
Durante a cerimónia, a Câmara Municipal de Santarém foi distinguida com a Medalha de Mérito e Valor Policial, grau ouro, entregue pelo director nacional da PSP.
Na fundamentação da distinção, o Diretor Nacional da PSP classificou o município como “um parceiro absolutamente essencial” da instituição, destacando o apoio dado ao sistema de videovigilância urbana, atualmente com 26 câmaras em funcionamento. “O apoio que a autarquia tem prestado ao Comando Distrital de Santarém constitui um exemplo de verdadeiro compromisso com os cidadãos e com a construção de comunidades mais seguras”, afirmou.
O Diretor Nacional da PSP, superintendente-chefe Luís Miguel Carrilho, destacou ainda o percurso histórico do comando distrital e o trabalho desenvolvido pelos profissionais da instituição ao longo de gerações.
“Poucas instituições em Portugal conseguem afirmar um legado histórico tão consistente e tão profundamente ligado às comunidades que servem”, declarou.
O responsável considerou que “a verdadeira força do Comando Distrital de Santarém foram e continuam a ser os seus polícias”. “Os homens e mulheres que patrulham as ruas, atendem vítimas, socorrem quem precisa e garantem a tranquilidade das populações”, acrescentou.
O diretor nacional anunciou também o reforço de efetivos policiais para o distrito, no âmbito do novo curso de formação de agentes previsto para junho. “O Comando Distrital de Santarém receberá reforço adequado de efetivos policiais”, garantiu.
A intervenção politicamente mais marcada pertenceu ao secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro, que aproveitou a cerimónia para destacar os investimentos realizados pelo Governo nas forças de segurança e defender a valorização da PSP.
“Celebramos as mulheres e os homens que vestem esta farda diariamente, com um sentido de missão e total dedicação ao bem comum”, afirmou.
O governante considerou que os resultados da segurança pública “não surgem por mero acaso”, mas sim “da dedicação dos efetivos, da preparação técnica e do elevado sentido ético”.
O secretário de Estado sublinhou que Portugal continua a afirmar-se como um dos países mais seguros do mundo graças ao trabalho das forças de segurança.
“Uma polícia que representa a autoridade do Estado e a capacidade coletiva de proteger os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos”, afirmou.
Na intervenção, o governante abordou ainda temas como violência doméstica, criminalidade tecnológica e incêndios florestais, defendendo forças de segurança “mais tecnológicas, mais capacitadas e com carreiras valorizadas”.
O secretário de Estado revelou que o suplemento de risco dos agentes passou de 100 euros em 2024 para 400 euros em 2026. “Proteger as nossas forças de segurança é um desígnio nosso”, afirmou.
Entre as medidas destacadas estiveram ainda a aquisição de câmaras corporais para agentes e de 1500 tasers para PSP e GNR. “Temos de aproveitar todos os meios que a tecnologia nos dá para aumentar a segurança e auxiliar os homens e mulheres que servem a sociedade”, declarou.
O governante destacou ainda os investimentos em infraestruturas policiais, apontando como exemplo a nova esquadra do Entroncamento, inaugurada no final do ano passado, num investimento de 2,2 milhões de euros. “Dar melhores condições aos nossos profissionais, mas também melhorar as condições de acolhimento dos cidadãos, é um objetivo de todos nós”, afirmou.
O secretário de Estado referiu igualmente os novos projetos de videovigilância em desenvolvimento em vários concelhos do distrito, nomeadamente Ourém, Cartaxo, Abrantes, Torres Novas, Entroncamento e Tomar, sempre em colaboração com os municípios.
“O futuro exige uma polícia cada vez mais moderna, cada vez mais próxima, cada vez mais tecnológica e mais preparada para responder aos desafios contemporâneos”, declarou.
Já perto do final da sessão, deixou uma das frases mais marcantes da cerimónia: “A segurança é um garante da liberdade e sem liberdade não há democracia como nós a conhecemos”.
Durante a sessão foram também distinguidos diversos agentes da PSP do distrito de Santarém, bem como os elementos civis que ali trabalham, com condecorações relativas ao desempenho das suas funções.
A cerimónia, que contou ainda com dois momentos musicais a cargo do Conservatório de Música de Santarém, terminou sob forte aplauso aos agentes da PSP, num ambiente de homenagem ao passado da instituição, mas também de reflexão sobre os desafios futuros da segurança pública no distrito de Santarém.






































































































