O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, manifestou preocupação com o impacto do encerramento das urgências de obstetrícia do Hospital de Vila Franca de Xira, considerando que a atual reorganização dos serviços de saúde está a aumentar os riscos para as grávidas e a sobrecarregar os meios de socorro.
As declarações foram feitas à margem da inauguração da Central Municipal de Operações de Socorro da Proteção Civil Municipal, onde o autarca criticou a política do Ministério da Saúde relativamente ao funcionamento das urgências obstétricas na região.
Segundo Fernando Paulo Ferreira, apenas cerca de 60% das grávidas em trabalho de parto têm sido encaminhadas para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, sendo as restantes transportadas para unidades hospitalares mais distantes, como Santarém, São Francisco Xavier ou outros hospitais da área de Lisboa.
O presidente da autarquia considera que o modelo de urgência centralizada “não está a funcionar”, defendendo que o Hospital Beatriz Ângelo não tem capacidade para responder às necessidades de uma população estimada em 350 mil pessoas abrangidas pela região.
O autarca alertou ainda para o aumento do tempo de resposta no transporte de grávidas, recordando que já ocorreu um parto no parque de estacionamento dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca de Xira devido à distância até à unidade hospitalar de referência.
Fernando Paulo Ferreira receia igualmente que o encerramento das urgências obstétricas possa abrir caminho ao enfraquecimento gradual da maternidade do Hospital de Vila Franca de Xira.
“O hospital de Vila Franca tem excelentes condições e excelentes profissionais. Merece melhorar, não merece degradação”, afirmou.
Também o coordenador municipal da Proteção Civil de Vila Franca de Xira, António Carvalho, reconheceu que o encerramento das urgências obriga os bombeiros a percorrer distâncias maiores no transporte de grávidas, o que aumenta o tempo de indisponibilidade das ambulâncias para outras ocorrências.
Embora refira que não houve um aumento significativo de partos realizados em ambulâncias, António Carvalho admite que o risco cresce devido às viagens mais longas até às unidades hospitalares disponíveis.
O responsável salientou que o principal problema não é o custo financeiro associado ao transporte, mas sim o impacto operacional nos meios de socorro. “Se um veículo estiver ocupado durante uma hora e meia numa deslocação, deixa de estar disponível para outras emergências”, explicou.
Apesar das críticas ao atual modelo, António Carvalho destacou a preparação dos bombeiros para responder a situações de emergência obstétrica, sublinhando que os tripulantes das ambulâncias possuem formação específica para assistência a partos em contexto pré-hospitalar.
As preocupações da autarquia e da Proteção Civil surgem numa altura em que continuam as críticas ao encerramento parcial de serviços de obstetrícia na região de Lisboa e Vale do Tejo, sobretudo devido ao impacto no acesso das populações aos cuidados de saúde materna e neonatal.





