Os prejuízos provocados pelas cheias e pelas sucessivas tempestades no concelho da Golegã podem aproximar-se de 1 milhão de euros, admitiu o presidente da Câmara Municipal, António Camilo, em declarações ao Notícias do Sorraia. O autarca recordou que, após a tempestade Christine, a primeira estimativa rondava os 200 mil euros, mas o agravamento da situação levou a uma revisão em alta dos danos em infraestruturas e equipamentos municipais.
Entre os espaços mais afetados contam-se o Museu de Fotografia Carlos Relvas, as piscinas municipais, pavilhões desportivos e o largo da feira, cujo piso ficou “completamente intransitável”. António Camilo sublinha que o valor final só poderá ser confirmado quando o nível das águas baixar e forem concluídos os levantamentos de estragos, quer em património público, quer em propriedades privadas.
As cheias atingiram de forma particular as populações das zonas ribeirinhas da Azinhaga, Pombalinho e São Caetano, onde foi necessário proceder a realojamentos para garantir condições de segurança e conforto. Várias vias municipais encontram-se encerradas, incluindo a estrada entre Golegã, Azinhaga e Pombalinho, bem como o acesso entre Pombalinho e Santarém por Vale de Figueira, obrigando a longos desvios através do concelho de Torres Novas.
Também os acessos à Chamusca foram afetados, com a estrada sobre o dique dos 20 cortada após a água ter galgado a estrutura e com a ponte da Chamusca temporariamente intransitável devido a constrangimentos de segurança. Infraestruturas de Portugal e a Agência Portuguesa do Ambiente intervieram no local, em articulação com as câmaras da Golegã e da Chamusca, para repor as condições mínimas de circulação.
O autarca destaca ainda o trabalho da Proteção Civil municipal, dos bombeiros voluntários e da GNR, nomeadamente nas operações de realojamento e na gestão de cortes e reaberturas de estradas. António Camilo alerta, contudo, para o risco de derrocadas e deslizamentos de terras, uma vez que os solos se encontram “super saturados” e com fissuras, afetando taludes e infraestruturas com várias décadas.
Face à dimensão dos danos, o presidente da Câmara considera “muito importante” a linha de financiamento anunciada pelo Governo para apoiar a recuperação, mas antecipa que será necessária uma intervenção forte do Estado para colmatar prejuízos que classifica como “enormes” e, para já, “incalculáveis”. O município, em articulação com a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, elaborou um memorando que foi levado a Conselho de Ministros, defendendo a reabilitação das infraestruturas afetadas e o apoio às autarquias, instituições e populações atingidas.






