O presidente da Câmara Municipal da Golegã, António Carlos Camilo, afirmou que as recentes cheias e tempestades provocaram prejuízos na ordem dos seis milhões de euros no concelho, defendendo uma intervenção estrutural urgente na zona da Ponte da Chamusca e no sistema de diques.
“A Golegã é tradicionalmente um dos municípios mais afetados”, começou por referir o autarca, sublinhando que o território foi atingido “não só pela tempestade, mas também pelas cheias”.
Apesar de a situação estar “quase normalizada”, António Carlos Camilo alertou que ainda existem constrangimentos. “Nós ainda temos algumas estradas submersas, nomeadamente uma estrada principal que liga às freguesias de Azinhaga e Pombalinho”, explicou.
O presidente da autarquia frisou que o levantamento total dos danos só poderá ser feito quando as águas recuarem por completo. “Só conseguimos avaliar os prejuízos na sua plenitude quando as águas baixarem totalmente”, afirmou, acrescentando que os agricultores já foram contactados para procederem ao respetivo levantamento.
Prejuízos avultados e estruturas críticas
De acordo com o autarca, os números já conhecidos são preocupantes. “Neste momento, só no concelho da Golegã estamos a falar de prejuízos de quase seis milhões de euros. E isto é complicado”, declarou.
Os danos abrangem não apenas o município, mas também agricultores e particulares. “São prejuízos do município, prejuízos dos agricultores, prejuízos de entidades particulares”, detalhou.
António Carlos Camilo admitiu que parte dos custos poderá ter de ser suportada pelo Governo central, sobretudo no que diz respeito a grandes infraestruturas. “Temos a noção que alguns custos poderão ter de ser suportados pelo Governo ao nível de estruturas de grande dimensão, como os diques”, afirmou, referindo em concreto o Dique dos 20, que sustenta a estrada entre a Golegã e a Chamusca e assegura a ligação à Ponte da Chamusca sobre o Tejo.
O presidente alertou ainda para tentativas de aproveitamento indevido da situação. “Há alguns oportunismos em relação a prejuízos causados que já existiam. A autarquia e o próprio Governo estão atentos e vamos ser muito rigorosos a definir essas situações”, garantiu.
Nova travessia sobre o Tejo considerada “essencial”
As cheias voltaram também a expor fragilidades antigas na ligação entre as duas margens do Tejo. Para António Carlos Camilo, é tempo de avançar com soluções definitivas.
“Já dei o recado a vários secretários de Estado, a alguns ministros e até ao Primeiro-Ministro”, revelou, defendendo a necessidade de “uma nova travessia sobre o Tejo”.
O autarca considera a medida prioritária para garantir melhores condições de circulação. “É muito importante permitir a circulação de veículos nos dois sentidos e pesados”, sustentou.
Além da nova travessia, o presidente da Câmara defende igualmente a conclusão da A13 entre Almeirim e o Entroncamento da Barquinha. “É primordial e estou plenamente convencido que o Governo vai ter isso em atenção”, afirmou.
António Carlos Camilo recordou que as alternativas atuais são insuficientes. “Temos uma alternativa mais a norte, através de Abrantes, e outra mais a sul, através de Santarém. São pontes que distam muito e as alternativas são mínimas”, explicou.
Para o autarca, “uma travessia era essencial para colmatar este estrangulamento que há entre as duas margens do Tejo”, defendendo uma intervenção estrutural que reduza a vulnerabilidade do concelho a fenómenos extremos que, segundo sublinha, tendem a repetir-se.





