A Associação Cultural Pousada do Campino faz um balanço globalmente positivo da edição de 2026 da Feira de Maio de Azambuja, apesar dos incidentes registados durante o certame, nomeadamente a fuga de um touro que provocou ferimentos em várias pessoas. Em entrevista à Rádio Valor Local, o presidente da associação, Joaquim Campino, destacou o crescimento da participação de campinos e amadores e garantiu que já estão a ser preparadas medidas para reforçar a segurança da próxima edição.
“O balanço que a direção da Associação Cultural Pousada do Campino faz é um balanço positivo, apesar dos incidentes que aconteceram”, afirmou Joaquim Campino, sublinhando que a feira continua a atrair cada vez mais participantes e público. Segundo o responsável, “cada vez temos mais campinos, cada vez temos mais amadores”, considerando que esse aumento demonstra que “as pessoas gostam de cá estar e gostam de colaborar connosco”.
O dirigente recordou que, quando assumiu a liderança da associação, a participação era mais reduzida, tanto ao nível dos campinos amadores como dos proprietários de animais. Contudo, o reforço dos apoios e a transferência das principais provas para o centro da vila contribuíram para inverter essa tendência. “As pessoas hoje já têm orgulho e gostam de mandar as casas agrícolas os seus animais para aqui fazer as provas”, referiu.
Sobre o incidente que marcou a edição deste ano, Joaquim Campino revelou que a associação está a trabalhar com a Câmara Municipal de Azambuja para reforçar as estruturas de proteção das largadas. A proposta passa pela colocação de reforços metálicos nas zonas mais vulneráveis das tronqueiras, de forma a evitar novas fugas. “O nosso principal intuito é, juntamente com a Câmara, a segurança das pessoas”, frisou.
O presidente da Pousada do Campino explicou ainda que, segundo as informações recolhidas, o animal terá sido incitado do exterior das barreiras, acabando por investir várias vezes contra a estrutura até conseguir partir uma das vigas e escapar. “São touros puros de esperas, são touros com bravura, são touros com mais de 500 quilos”, lembrou.
Apesar da gravidade da situação, Joaquim Campino elogiou a atuação dos campinos, da GNR e dos elementos municipais envolvidos na operação de captura do animal. “Passado dez minutos, um quarto de hora, o touro estava laçado e estavam a carregá-lo”, afirmou, acrescentando que chegou mesmo a solicitar ao presidente da Câmara que preparasse a possibilidade de abater o animal caso a segurança pública estivesse em causa. “Felizmente isso não foi necessário”, disse.
Na entrevista conduzida por Miguel Rodrigues, o dirigente respondeu também às críticas da líder do PAN, Inês Sousa Real, que voltou a questionar a realização das largadas de touros. Joaquim Campino considerou que o partido procura limitar o acesso dos jovens à tauromaquia e garantiu que a associação continuará a defender as tradições locais. “Vamos continuar a fazer com que as nossas tradições e a nossa cultura se mantenham”, afirmou.
A pensar já na edição de 2027, o responsável garantiu que a organização irá analisar os acontecimentos deste ano para introduzir melhorias. “Temos um ano para melhorar e com certeza que as coisas vão melhorar”, assegurou, reforçando que a principal preocupação continuará a ser a segurança de participantes e visitantes.





