A Polícia Judiciária (PJ) deteve na manhã desta quarta-feira, 1 de julho, a médica Emuna Mia, bem como mais outros dois médicos e uma técnica auxiliar, que se suspeita estejam envolvidos no esquema que possibilitou a dezenas de pessoas aceder a reforma por invalidez.
De acordo com o comunicado oficial da PJ, na sequência de operação “Relax” foram hoje cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, incluindo três consultórios médicos, em Vila Franca de Xira, Santo Estevão (Benavente) e Leiria, onde foram detidos os quatro envolvidos, sendo que no total foram constituídos arguidas nove pessoas.
Os consultórios serão o de Emuna Mia, em Santo Estevão, e as clínicas em Vila Franca de Xira e Leiria, para onde a médica encaminhava os seus clientes que procuravam aceder à reforma por invalidez, e que conseguiam assim, alegadamente, manipular o resultado dos exames realizados.
Os médicos que assinaram os relatórios, com os resultados alegadamente manipulados, são também os outros dois clínicos detidos.
O inquérito que está a ser titulado pelo DIAP de Lisboa.
O esquema ter-se-á iniciado há seis anos, em 2020, e de acordo com a investigação, existem “fortes suspeitas de que um grupo alargado de pessoas, incluindo profissionais de saúde, tenha participado na execução de um plano criminoso, através do qual conseguiram que a Segurança Social viesse a atribuir indevidamente, a inúmeros beneficiários, prestações sociais relativas a pensões de invalidez e pensões por doença profissional.”
A investigação estima “que o prejuízo causado ao erário público em resultado deste esquema criminoso possa ascender a centenas milhares de euros.”
A médica cobraria entre mil a 3 mil euros a cada utente que a procurava, para aceder à reforma de forma antecipada, valores que se suspeita agora, fossem divididos entre os suspeitos agora detidos.
As buscas foram executadas por 88 Inspetores e 11 Especialistas de Polícia Científica, contando ainda com a participação de 4 Juízes de Instrução Criminal e 10 Procuradores do Ministério Público.
Os detidos serão presentes no Tribunal Central de Investigação Criminal de Lisboa, para primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação.
Recorde-se que o esquema foi revelado depois de uma investigação da SIC ter apurado que a médica havia reformado dezenas de pessoas por invalidez, a troco de valores entre os mil e três mil euros.
As detenções surgem também depois da Carris ter apresentado queixa contra a médica, depois de dezenas de trabalhadores da empresa se terem reformado antecipadamente, com alegados problemas físicos que lhes permitiam obter a reforma por invalidez.
A Ordem dos Médicos abriu, na altura, um inquérito à médica, por estarem em causa “alegadas práticas gravemente lesivas da ética e da deontologia médica”.





