Opinião – Vivam as Festas do Ribatejo

1 Setembro 2022, 18:40 Não Por Redacção

Depois de dois anos em que, devido à Pandemia Covid-19, fomos obrigados a suspender todas as Festas populares do nosso concelho, este verão elas regressaram em todo o seu esplendor.

E que bonito tem sido ver a alegria estampada no rosto da nossa gente e o colorido das nossas terras que se trajam a rigor para receber as tradicionais Festas que têm as suas raízes na mais longínqua memória coletiva.

Durante décadas, as Festas têm correspondido à celebração das nossas tradições mais genuínas assentes, sobretudo, nas figuras do Campino, do Toiro, do Cavalo, e nas manifestações públicas de Fé do nosso povo.

Durante décadas, estas Festas também têm sido ponto de encontro daqueles que, tendo partido para outras zonas do país e até para o estrangeiro, trazem no peito a saudade e o pulsar do nosso Ribatejo.

Tendo em vista a preservação dos nossos valores culturais e das nossas tradições, é fundamental que a nossa comunidade se mantenha unida quando falamos de Festas. Ao mesmo tempo, é imperioso que todos os autarcas tenham consciência da responsabilidade que temos no reforço da defesa da nossa identidade cultural.

A força e o peso do nosso concelho de Benavente e da nossa região passam, inevitavelmente, por essa união e pelo empenho e trabalho concreto do Poder Local.

Temos uma História que é impossível de apagar. A nossa alma ribatejana, o cheiro do campo e o toque do Fandango que trazemos dentro de nós, fazem parte da cultura do nosso povo.

A alguns fazedores de opinião que desconhecem por completo o que é o mundo rural, aconselho a estudarem a origem desta identidade cultural ribatejana, porque só assim poderão compreender a nossa cultura como o resultado do processo histórico da construção da identidade de um povo.

Por muito que algumas pessoas não consigam perceber a vivência das nossas Festas Populares associada à Festa Brava, e por mais que algumas organizações ou setores da sociedade teimem em atacar a nossa identidade cultural – prevista na Constituição da República Portuguesa – os autarcas dos Municípios com atividades taurinas têm que reforçar o seu papel na defesa da Festa.

Se queremos potenciar e afirmar a nossa cultura ribatejana temos de falar dela sem medo, pois só assim continuaremos a preservar as tradições transmitindo-as, quer às gerações futuras quer a quem escolhe o nosso concelho para viver.

Ao mesmo tempo, são precisas ações concretas.

Como exemplo, em 2019 foi noticiado que a Câmara Municipal de Benavente estaria a preparar a candidatura do Campino a Património Cultural Imaterial: “A figura do campino é reconhecida neste território como nossa, manifesta-se de forma espontânea e inevitável na imagem que vamos construindo da nossa cultura, naquilo que nos distingue, torna singulares e que é a nossa identidade cultural», pode ler-se no blog do Museu Municipal de Benavente. Não tivemos nenhuma outra informação sobre este processo: é fundamental que estas iniciativas saiam da gaveta e se concretizem.

É necessário o apoio incondicional do Poder Local, quer no reforço do apoio direto às nossas Comissões de Festas – logístico e financeiro -, quer no reconhecimento e valorização de todos os voluntários que trabalham arduamente durante todo o ano com vista à concretização desses eventos.

Se o Poder Local quer afirmar as tradições do povo que têm o seu apogeu nas Festas tradicionais, tem de reconhecer que as Festas são o verdadeiro Cartão de Visita das nossas terras, do nosso Concelho, pois atraem milhares de visitantes e promovem como nenhum outro evento a nossa economia local.

Esse reconhecimento não pode ser feito apenas com palavras bonitas ou com os mesmos apoios de há anos. Tem de ser um apoio reforçado, que não fique apenas a observar o trabalho de centenas de voluntários que abdicam do seu tempo em prol das comunidades, quando os Autarquias podiam ajudar muito mais.

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