Tenho talvez a profissão mais difícil em Coruche… sou jornalista, empresário, relato e conto os feitos e factos que se passam na terra onde vivo… com os benefícios, mas sobretudo malefícios que isso acarreta…
São 2.22 horas da manhã, cheguei há pouco da Assembleia Municipal, e enquanto muitos dos que tomaram as decisões que vão guiar os destinos do concelho no próximo ano, e nos seguintes, já estão a descansar, eu não consegui, e resolvi escrever estas linhas, não de raiva, mas sobretudo de lamento… lamento pelo que ali vi e ouvi, mas sobretudo pelo que não vi, nem ouvi…
Independentemente das cores políticas, clubísticas ou crenças religiosas, queria, e quero, acreditar que os vinte e nove eleitos que ali estiveram querem o melhor para a sua terra, para as suas famílias, para os seus amigos, para as suas empresas… mas infelizmente não foi isso que presenciei…
Vi muita iliteracia, gente que não sabe o resultado do que lhes foi dado para ler e que, por exemplo, afirma que “se a taxa não foi 2,5% será de 5%”, quando afinal era apenas de 3%; presidentes de junta que não fazem mais que levantar a mão na hora da votação, não deixando uma palavra de “luta” pela sua freguesia, que ainda que combinada com o executivo municipal, teria ficado bem, caía bem aos seus fregueses saberem agora que o seu representante tinha lutado por mais uns metros de alcatrão, mais um saneamento ou simplesmente por mais uma verba para um artista melhor na festa de verão…
Já nem vou discutir se a rejeição da moção que pedia uma auditoria externa às contas da Câmara Municipal foi rejeitada por convénio entre os dois partidos agora alinhados, ou se por ter sido apresentada “por quem foi”, mas fico triste que se tenham perdido duas horas de “conversa” para nada… se, como diz o ditado, “quem não deve, não teme”, então porque se temeu?
É verdade que munícipes ali presentes, eram “meia dúzia”, mas tenho a certeza que a transmissão on-line, como todos dizem querer, mas ninguém implementa, deste género de reuniões envergonharia muito boa gente… nem é preciso saber ler nem escrever para perceber que não é assim que Coruche “lá vai”.
Se repararam não escrevi o nome de nenhum partido, nem irei escrever, pois o que está em causa não são partidos ou ideologias, são ações, as que “ficam com quem as pratica”.
Coruche precisa de ações e de ação, não precisa de continuar a pensar pequeno, como no caso do Centro Cultural de Coruche. Continuamos a pensar num projeto pequeno, que não irá ser referência regional e muito menos nacional, e continuaremos a ter o problema do polidesportivo por resolver.
Neste caso é preciso “pensar em grande” e “matar dois coelhos com uma cajadada”.
Entre a Praça de Touros, que poderia ser coberta e um Horta da Nora abandonado e dando um ar decrépito à zona central da vila de Coruche são duas opções bastante válidas. Dir-me-ão que são precisos muito mais que os 7 milhões de euros que se estima que custe o Centro Cultural na antiga rodoviária, verdade que sim, mas prefiro “gastar” 14 ou 15 e ficar servido, que continuar a ficar remediado…
Talvez para esta ação seja necessário que quem foi agora eleito não o tenha sido porque assim conseguiu um lugar para ficar à sombra, um lugar para a filha ou para a esposa numa posição confortável, mas que tome decisões que irão ter impacto no seu concelho e que a filha ou esposa que conquistaram agora essa posição confortável, venham a ter filhos e netos que continuem confortável e orgulhosamente em Coruche!
Não me interessa se o partido A ou B tem as melhores ideologias, já diz o dito popular que de “idiotas tá o mundo cheio”, o que me interessa é que agora todos remem neste barco que corre pelo Sorraia, e o levem à direção certa, a direção de um Coruche, a quem todos reconhecem as potencialidades, mas confirmam que está a definhar.
Não posso ter um presidente que se está a deixar levar pelo orgulho de ser presidente e se recusa a falar com as forças vivas, porque cismou que estas apoiavam outros, numas eleições em que afinal todos diziam querer o melhor para Coruche.
Não posso ter um presidente que ainda hoje não sabe a quem anda a pagar. Ouvir dizer que a Cruz Vermelha não presta serviço INEM em Coruche, quando é a única coisa que faz, demonstra que é preciso que deixe o orgulho de lado e que fale com todos aqueles que agora são os “seus” e perceba quem é o quê na organização que agora lidera.
Quem não tem poderes executivos deve poder ser um verdadeiro auxiliador, nem dizer que não, “porque não”, nem que sim, “porque sim” e muito menos abster-se em sinal de subserviência conveniente. É preciso a crítica fundamentada e construtiva, fazer perceber as ideias, e complementar projetos.
Coruche tem que se libertar das amarras que há muitos, e demasiados, anos a tem impedido de progredir. Amarras familiares, que vão subjugando tudo e todos, em nome do que já não são, e talvez nunca tenham sido.
Enquanto coruchense e conhecedor de muitas e variadas latitudes tenho pena que Coruche esteja assim, a caminhar num estúpido orgulho que não a leva a lado nenhum.
Enquanto empresário e editor do único jornal que ainda por cá se vai fazendo, é importante que se lembrem de uma coisa… hoje estamos aqui, amanhã podemos estar já ali ao lado, onde nos querem bem, se preocupam connosco e nos apoiam…
É importante que se lembrem que os espaços publicitários são isso mesmo, montras e outdoors, que podem ser vendidos a qualquer um, que não os queira utilizar para amarrar ninguém!
Coruche, tem que de uma vez por todas de ser “boa mãe” e não uma boa e interesseira madrasta!





