Opinião – De costas para o ambiente

7 Fevereiro 2023, 15:12 Não Por Redacção

Nas últimas semanas assistimos a fenómenos extremos no que diz respeito à precipitação no nosso território, no entanto não nos podemos esquecer que o nosso país tem estado em situação de seca extrema atingindo este ano quase 40% do território nacional, estando o país perante a situação de seca mais severa registada do último século.

A seca está a atingir quase todos os continentes e a escassez de água tem consequências diretas na vida de milhões de pessoas em todo o mundo e, um pouco por todo o planeta os agricultores procuram soluções para não perderem as suas culturas e com isso abrir uma crise alimentar. é relevante adotar práticas mais eficientes no uso de recursos hídricos e de reutilização de água no setor agroalimentar

No que diz respeito a Portugal, há que gerir de uma forma mais sustentável e com visão de futuro os recursos hídricos.

Muitos especialistas defendem que o país deverá preparar-se antecipadamente para a adaptação às alterações climáticas, que estão e vão provocar períodos de seca, e aconselham cuidados com a água e mais árvores, que segundo estudos diminuem alguns graus de temperatura nas cidades.

É por isso essencial introduzir planos de combate às alterações climáticas, não fazendo sentido negar as alterações climáticas”, uma questão consensual junto de quase 100% dos cientistas.

E nós por cá…….O nosso município é banhado pelo Rio Almansor e pelo Rio Sorraia, maior afluente do Rio Tejo, e estamos a deixá-lo morrer lentamente.

A bacia hidrográfica do Sorraia leva água desde a serra de São Mamede, no distrito de Portalegre, até à Ponta d’Erva, em plena Reserva Natural do Estuário do Rio Tejo. A água que transporta é um dos recursos mais importantes para a agricultura do Ribatejo. Até há 40 anos, o Sorraia era navegável, o que fazia dele uma via de comércio muito importante para a região.

Hoje em dia é impossível navegar e corremos o risco de ficar sem rio nos próximos anos, se a inação da nossa autarquia e governo se mantiver. A planta jacinto-de-água, importada do Brasil para ornamentar lagos em Portugal na década de 30, foi parar aos esgotos e acabou por infestar as linhas de água. O nosso rio está doente, a praga é visível ao longo de quilómetros, um tapete verde que se propaga pela superfície da água.

O poder autárquico instituído, desde o 25 de abril, vai empurrando o problema com a barriga e de reunião em reunião, o manto verde vai alastrando.

Nos últimos anos a progressão desta praga tem acelerado a um ritmo impressionante, já as medidas para combater tem um sentido inverso, esperamos, esperamos. Desde 2016 que a nossa população acordou para esta problemática e que se começou a manifestar.

A nossa autarquia não dá a importância necessária ao Rio Sorraia, e faltam ideias para potenciar esse rio. Ao contrário do que é feito por autarquias vizinhas e outras que têm o mesmo problema, como é o caso de Águeda e de Mora, esta última, que é banhada pelo Rio Sorraia e que recentemente foi notícia porque viu aprovada a sua candidatura para o projeto denominado “Conservação da Natureza e Biodiversidade – Projetos de erradicação e controlo de espécies invasoras prioritárias”, do Fundo Ambiental. E nós por cá????

A Autarquia é a primeira entidade interessada em ter os rios que atravessam o seu território limpos, navegáveis e com boas condições para as espécies se poderem reproduzir. A Câmara Municipal foi demasiado permissiva e não atuou em devido tempo, sendo, agora, muito mais difícil combater a praga de jacintos, ainda mais, sem o apoio daqueles que, efetivamente, o deveriam dar.

A autarquia aludiu muitas vezes que o problema se resolvia por si só, era só esperar umas chuvadas e o rio ficaria limpo. Como todos sabemos e já sabíamos na altura com as condições climatéricas a alterarem-se sabemos e sabíamos que as chuvadas infelizmente são cada vez menores e portanto essa teoria tinha os dias contados.

Em 2016 o ICNF e a ARH (Administração regional hidrográfica), defenderam juntamente com a CMB uma intervenção que deveria ocorrer durante 3 anos, ou seja, até 2020.

O PSD há muito que abraçou esta causa, através dos seus deputados e dos seus autarcas na região.

Este problema arrasta-se há 6 anos, sem que o Ministério do Ambiente, a Câmara Municipal de Benavente, tenham feito qualquer coisa para minimizar o problema, ou não o deixar chegar ao ponto que chegou.

Aguardamos que após estas cheias dos últimos meses a autarquia acorde de uma vez para este problema e aproveite a conjuntura para proceder a uma limpeza dos nossos rios ou vamos continuar a assistir à inação por parte da Câmara Municipal de Benavente.

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