Opinião – A Saúde precisa de ação

29 Julho 2022, 13:27 Não Por Redacção

A falta de pessoal médico é um problema que predomina no concelho de Benavente já desde há muitos anos.

A carência destes especialistas tem assolado a região e, no caso concreto da UCSP – Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Benavente (que engloba esta freguesia juntamente com as de Barrosa e Santo Estêvão, num universo de mais de 15 mil utentes), a situação já ultrapassou todos os limites.

Hoje em dia um dos maiores desafios até é, por incrível que pareça, os poucos utentes com médico de família conseguirem marcar uma consulta. Quer fisicamente, deslocando-se ao centro de saúde, quer via telefone, não é garantido que consigam marcar a sua consulta. Naturalmente, se somarmos isto a toda a conjuntura atual do SNS, é compreensível o desagrado e revolta das pessoas, principalmente entre aquelas com doenças crónicas e a precisarem de acompanhamento constante.

São incompreensíveis as diferenças que existem no Serviço Nacional de Saúde, até mesmo dentro de um mesmo Município como é o caso do de Benavente, que tem em Samora Correia uma USF a funcionar muito bem, garantindo médicos e cuidados de saúde primários a todos os utentes daquela freguesia, contrariamente ao que se passa no resto do concelho.

Os gestores deste nosso sistema de saúde, que devia dar uma resposta igual a todos os portugueses, continuam a promover desigualdades inaceitáveis, ignorando os problemas estruturais do SNS e, por conseguinte, adiando as reformas que se impõem fazer.

Por isso assistimos no nosso país ao facto de uma grande parte dos cidadãos terem um seguro de saúde para garantir no setor privado os cuidados de saúde que o Estado, a quem pagam através dos seus impostos, não lhes garante.

No que diz respeito ao poder local, é preciso fazer muito mais.

É fundamental garantir que os territórios têm as melhores capacidades atrativas, que permitam fixar e atrair pessoas para, no caso da saúde, assegurar a chegada de pessoal médico e suas famílias.

Apesar da criação de alguns pacotes de incentivos para a fixação de médicos, que compreendem algumas medidas como por exemplo a oferta de habitação ou creches para os filhos, os autarcas têm que ser mais reivindicativos, ambiciosos e até mesmo mais criativos na procura de novas soluções.

No caso concreto de Benavente, houve um pacote de incentivos aprovado em setembro de 2021, na véspera das eleições, que até ficou esquecido numa gaveta todos estes meses e só agora foi publicado em Diário da República, e que não surtiu qualquer efeito prático: nenhum médico foi atraído. É preciso apostar em novos caminhos.

Perante a ausência de respostas de um Estado que não cumpre a obrigação constitucional de garantir cuidados médicos e de qualidade a todos os portugueses, cabe-nos a nós, autarcas, que convivemos diariamente com o drama dos nossos concidadãos, estudar e apresentar novas soluções. E uma das soluções nunca antes estudada para tentar acabar com a falta de médicos de família em Benavente é a Câmara Municipal assumir o diferencial do vencimento dos médicos da USF do Tipo A de Benavente em relação ao que se aufere numa USF do Tipo B como a de Samora Correia. Este incentivo, ao ser possível protocolizar com o Ministério da Saúde, permitiria, de acordo com a experiência de Samora Correia, eliminar por completo as listas de espera e atribuir a toda a população de Benavente, Barros a e Santo Estêvão o seu respetivo médico de família.

Poderá estar aqui uma solução transitória perante a rutura do SNS que pode inclusivamente servir outros Municípios da região e até do país, sem nunca esquecer que as soluções definitivas passarão obrigatoriamente pelas reformas estruturais que o Governo do PS tem adiado ao longo dos últimos 7 anos e cujos resultados estão à vista de toda a gente: milhares de pessoas sem médicos de famílias, urgências de obstetrícia encerradas, urgências gerais com horas e horas de espera, intervenções cirúrgicas adiadas, profissionais de saúde complemente desgastados e desrespeitados num país que ainda há poucos meses os aplaudia, desvalorização dos bombeiros que são quem presta o primeiro socorro às nossas populações e faz o seu transporte para o hospital, entre tantas outras situações.

Perante a incapacidade ou incompetência do Estado central, o poder local tem que agir e fazer-se ouvir.

É preciso agir, pelos habitantes, pelos utentes, dos mais novos aos mais velhos.

E é preciso agir já, porque se o SNS está doente, as pessoas ainda estão mais, e essas precisam de cuidados de saúde enquanto estão vivas.

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