A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Couço, no concelho de Coruche, foi formalmente constituída esta quarta-feira, 17 de junho, com uma ambição assumida: devolver à freguesia uma resposta de socorro de proximidade, começando pela criação de condições para ter uma ambulância disponível 24 horas por dia e uma viatura ligeira de combate a incêndios.
O objetivo foi claramente assumido por Paulo Rosado, presidente da nova associação, que defende que o Couço não pode continuar dependente de meios vindos de fora para situações de emergência. “O que nós pretendemos é ter uma ambulância de socorro 24 horas por dia e ter um pequeno carro de combate a incêndio para primeira operação nos teatros de operações”, afirmou.
A escritura de constituição da associação foi assinada no Cartório Notarial de Mora, depois de emitido o certificado de admissibilidade que permite a utilização do nome da nova entidade. Para Paulo Rosado, este foi o passo formal que faltava para transformar a intenção de um grupo de moradores numa estrutura organizada. “Neste momento está concluída. Está registada e agora é trabalhar, mas trabalhar de uma forma muito elaborada”, afirmou.
A prioridade da nova associação é garantir uma resposta imediata a acidentes, doenças súbitas, incêndios e outras situações de emergência. Paulo Rosado sublinha que a preocupação central está no tempo de chegada do socorro, considerando que a população da freguesia precisa de meios mais próximos. “Não é o socorro esperar três quartos de hora, uma hora, uma hora e meia. Nós precisamos e temos que ter o socorro de forma imediata”, declarou.
O responsável defende que uma ambulância sediada no Couço permitiria responder em poucos minutos dentro da vila e chegar mais rapidamente às localidades mais afastadas da freguesia. “Se for na vila do Couço ao fim de cinco minutos e se for na aldeia mais distante, que é Volta do Vale, em 15 minutos, por exemplo. É isso que nós pretendemos”, referiu.
Além da ambulância, a associação quer avançar com uma viatura ligeira de combate a incêndios, pensada para uma primeira intervenção no terreno até à chegada de outros meios. Para Paulo Rosado, esta capacidade é essencial numa freguesia com território extenso e zonas rurais, onde a rapidez da resposta pode ser determinante.
O Couço é atualmente servido pelos Bombeiros Municipais de Coruche, que enfrentam dificuldades ao nível dos recursos humanos. Em várias situações, o socorro acaba por ser assegurado pelos Bombeiros Voluntários de Mora ou por outras corporações mais distantes. É este cenário que os promotores da nova associação querem alterar.
A intenção de criar uma associação humanitária no Couço tinha sido apresentada por Paulo Rosado na reunião de Câmara de Coruche de 30 de abril, onde pediu apoio da autarquia para implementar o projeto. O responsável, natural do Couço, proprietário de uma clínica veterinária e residente na Covilhã, tem defendido que é necessário encontrar uma solução, seja através da reabertura da antiga secção dos Bombeiros Municipais no Couço, seja através da criação de um corpo de bombeiros voluntários.
Paulo Rosado garante que o movimento é apartidário e nasce da preocupação de moradores com a segurança da população. “Isto é um grupo de amigos e de pessoas que naturalmente pensam nas necessidades da população que se reuniram para fazer isto”, afirmou, acrescentando que decidiu envolver se porque pensa “nas minhas gentes” e “na minha terra”.
O financiamento será um dos principais desafios da nova estrutura. Paulo Rosado reconhece que “uma associação humanitária criada hoje não tem condições financeiras para o que quer que seja” e assume que será necessário procurar apoios, preparar dossiês e estabelecer parcerias para viabilizar a compra ou cedência dos meios necessários.
Uma das primeiras prioridades passa por tentar formalizar um protocolo com a Câmara Municipal de Coruche. “Vamos tentar assinar um protocolo com a Câmara Municipal de Coruche. E é a primeira coisa a ser feita, até porque precisamos de instalações, precisamos de viaturas, precisamos de fazer angariação de voluntários para trabalharem connosco”, explicou.
Em cima da mesa está também a possibilidade de utilizar as antigas instalações da secção dos bombeiros no Couço, propriedade da Câmara Municipal de Coruche e desativadas há vários anos. Paulo Rosado admite que o espaço poderia ser importante numa fase inicial, embora necessite de obras. “Aquilo é um espaço bastante obsoleto”, referiu, apontando a necessidade de pinturas, remodelações, camaratas, casas de banho e intervenção no telhado, que terá ainda cobertura em amianto.
O presidente da Câmara Municipal de Coruche, Nuno Azevedo, já tinha manifestado abertura para colaborar com o grupo e admitido que a criação de uma estrutura no Couço poderá ser uma das soluções para melhorar a resposta de socorro no concelho.
Apesar de admitir, numa fase posterior, a possibilidade de avançar para o transporte de doentes não urgentes como forma de garantir sustentabilidade financeira, Paulo Rosado insiste que o foco inicial é outro. “A nossa vontade, para já, é uma ambulância de socorro. É o socorro que nos preocupa mais. E também uma viatura ligeira de combate a incêndio”, afirmou.
A equipa dirigente será apresentada em breve à população, estando prevista uma apresentação pública durante a Semana da Cultura, Arte e Desporto da vila do Couço, que decorre entre 4 e 12 de julho, com autorização da Junta de Freguesia.
Com a constituição formal da associação, os promotores entram agora numa nova fase, centrada na procura de apoios, instalações, voluntários e meios operacionais. “A partir de agora é que vamos contar com todos. Vamos ser persistentes, resilientes e insistentes com a Câmara, para que as coisas não adormeçam e para que, muito em breve, consigamos de alguma forma ter o socorro novamente no Couço”, concluiu Paulo Rosado.





