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Nobre diz-se empenhada no processo negocial e que adesão à greve ronda 30%

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A Nobre Alimentação disse hoje que a greve teve uma adesão de cerca de 30% e está empenhada no processo de negociação e em alcançar soluções equilibradas para resolver a contenda que levou a 24 greves em dois anos.

Do universo total de 780 trabalhadores da empresa, “cerca de 30% não se apresentaram hoje ao serviço”, informou a Nobre Alimentação, considerando não se poder “afirmar se são valores de adesão à greve ou se faltaram por outras razões”.

Em causa está uma greve de dois dias (hoje e segunda-feira) convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB) para denunciar a falta de vontade da empresa, sediada em Rio Maior, no distrito de Santarém, para negociar o caderno reivindicativo dos trabalhadores e que, segundo o dirigente sindical Diogo Lopes, teve uma adesão de 90%.

“Se falarmos no grupo de trabalhadores sindicalizados declarados, e que são 84, a taxa de ausência alcançará o máximo de 45%”, declarou a empresa numa resposta enviada por ‘email’ à agência Lusa.

A empresa esclareceu ainda que se encontra atualmente “envolvida num processo de conciliação estruturado com os sindicatos, sob a supervisão das autoridades laborais competentes”, no âmbito do qual já se realizaram duas reuniões de conciliação (em 01 de setembro e em 23 de outubro) na Direção Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).

A Nobre “tem participado ativamente em todas as reuniões e mantém-se totalmente empenhada neste processo”, que tem agendada uma nova sessão de conciliação para 17 de dezembro.

O objetivo deste processo “é promover o diálogo e alcançar soluções equilibradas e sustentáveis”, acrescentou a empresa no texto em que considera que “a realização de ações de greve enquanto decorrem os esforços de conciliação não reflete a mesma postura construtiva e colaborativa na resolução das questões em causa”.

Esta é a 24.ª greve convocada pelo sindicato desde 2023, face à alegada indisponibilidade da empresa em negociar o caderno reivindicativo entregue pelos trabalhadores que exigem um aumento salarial de 150 euros, a valorização do subsídio de refeição (dos atuais 5,50 euros para oito euros) e do trabalho noturno, a alteração do valor das diuturnidades, o direito a 25 dias de férias e o fim do recurso à contratação precária, entre outras reivindicações.

Questionada pela Lusa, a empresa não esclareceu se vai ou não apresentar uma contraproposta, mas sublinhou que, “apesar do contexto económico desafiante no setor — marcado por aumentos significativos nos custos das matérias-primas, produção e logística —,implementou aumentos salariais em dois anos consecutivos (2023 e 2024), independentemente do processo de diálogo em curso, de forma a assegurar uma remuneração competitiva”.

Além disso, a empresa “oferece um pacote abrangente de benefícios, além do salário”, medidas que “demonstram o compromisso contínuo da empresa em reconhecer e recompensar a dedicação das suas equipas”, conclui na reposta enviada à Lusa.

A greve dos trabalhadores da Nobre continuará na segunda-feira e os cerca de 40 trabalhadores que se concentraram em frente à empresa decidiram também “dar continuidade à greve no próximo mês”, em data ainda a definir, mas que deverá coincidir com a data de uma greve geral que deverá ser decidida no sábado, durante a manifestação organizada pela CGTP-IN.

Em comunicado, a Direção da Organização Regional de Santarém do Partido Comunista Português (DORSA do PCP) saudou hoje “calorosamente os trabalhadores da Carnes Nobre” pela luta, que considera “um exemplo e um estímulo para outros setores da região”.

No texto, o PCP reafirma a sua solidariedade para com estes trabalhadores, “valorizando a sua unidade e combatividade”.

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