MUSP apela à mobilização em defesa do Serviço Nacional de Saúde

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O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos, MUSP, lançou um forte apelo aos utentes para que não se resignem perante o que classifica como novos e graves ataques ao Serviço Nacional de Saúde. Numa tomada de posição pública, a organização convoca a população a manifestar-se e a mobilizar-se em defesa do SNS, considerando que este se encontra sob uma pressão deliberada de desmantelamento.

Segundo o MUSP, a morte de utentes por falta de assistência atempada, os longos tempos de espera nos hospitais e centros de saúde, a carência de médicos de família, os partos realizados em ambulâncias e o encerramento de especialidades hospitalares não resultam de uma incapacidade do SNS nem do aumento do número de utentes. Para o movimento, estes problemas são antes consequência de anos de desinvestimento e de uma orientação política que favorece a degradação dos serviços públicos de saúde e a sua progressiva entrega ao setor privado, onde o acesso aos cuidados depende do poder económico dos cidadãos.

O MUSP denuncia ainda a transferência sistemática de verbas do Orçamento da Saúde para entidades privadas, seja através da adjudicação de serviços que poderiam ser prestados pelo SNS, seja por via de investimentos em equipamentos nos hospitais públicos que acabam posteriormente entregues à gestão privada ou às Misericórdias. O movimento aponta como exemplos os casos dos hospitais de Vila Franca de Xira e de Braga.

De acordo com a organização, a supressão de serviços e urgências está diretamente relacionada com a deterioração das condições de trabalho dos profissionais de saúde, o que contribui para o seu afastamento para o setor privado. O MUSP critica igualmente as opções do atual governo, que em 2025 impôs limites à contratação de novos trabalhadores para o SNS, fixando um crescimento máximo de 1,9 por cento no quadro de pessoal, inferior ao de anos anteriores.

Este ano, o executivo voltou a ser alvo de críticas ao concentrar urgências num único hospital para servir uma área num raio de 60 quilómetros. Para o MUSP, esta decisão viola condições contratuais dos profissionais, afasta utentes dos seus locais de residência e aumenta a pressão sobre os serviços de emergência e transporte de doentes.

O movimento recorda ainda episódios recentes ocorridos nas urgências hospitalares, como a permanência prolongada de doentes em macas de ambulâncias à espera de vaga e o caso extremo de um doente oncológico em estado terminal que terá sido colocado no chão de um hospital. A retenção das ambulâncias dentro das unidades de saúde, acrescenta o MUSP, reduz a capacidade de resposta dos bombeiros a outras ocorrências, situação que terá contribuído para a morte de um utente no Seixal por falta de assistência em tempo útil.

Face a este cenário, o MUSP apela aos cidadãos de todo o país para que se organizem em torno das Comissões de Utentes já existentes e promovam a criação de novas estruturas onde estas ainda não estejam constituídas, reforçando a participação cívica e a defesa do SNS.

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