Museu quer pôr Vila Franca de Xira a abrir gavetas da memória para contar a história da Rua Direita

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O Museu Municipal de Vila Franca de Xira está a lançar um apelo à população para participar ativamente na construção da exposição “Do Mártir Santo à Galache”, dedicada à Rua Dr. Miguel Bombarda, a histórica Rua Direita.

O objetivo passa por reunir fotografias, objetos, documentos e testemunhos que permitam contar, de forma mais completa, a história de uma das ruas mais emblemáticas da cidade.

A iniciativa, que culminará numa exposição a inaugurar a 18 de abril e que ficará patente até 11 de outubro, pretende transformar a memória coletiva num verdadeiro retrato histórico, cruzando investigação documental com vivências pessoais.

Apesar de o trabalho já ter começado a partir do espólio do próprio Museu, as curadoras reconhecem que há um património vasto ainda por descobrir junto da comunidade. “Umas fotos, alguns documentos, algumas publicações que vamos, através de investigação, vendo… mas queríamos mais coisas”, afirma Inês Rodrigues, sublinhando que muitas peças importantes permanecem fora dos arquivos institucionais.

A Rua Direita ocupa um lugar central na identidade de Vila Franca de Xira. Uma das mais antigas da cidade, foi durante séculos eixo de entrada e circulação, espaço de comércio, de encontros e de vida quotidiana. Essa importância histórica e simbólica é um dos pilares da exposição. Como explica Idalina Mesquita, “o objetivo é que sim”, referindo-se à ambição de criar mais do que uma simples mostra, mas “quase que um documento histórico sobre toda a Rua Direita e a envolvência”.

Para alcançar esse objetivo, a equipa considera fundamental envolver os vilafranquenses, apelando à partilha de materiais que, à primeira vista, podem parecer insignificantes. “Às vezes as memórias das pessoas pensam que não têm importância nenhuma”, alerta Idalina Mesquita. “Porque têm um saco da loja que existiu ali, porque têm uma fotografia que tirou à porta…”, exemplifica, lembrando que são precisamente esses elementos do quotidiano que ajudam a reconstruir a história vivida da rua.

A curadora reforça que o valor destes contributos não está apenas na sua dimensão material, mas também na carga simbólica e informativa que transportam. “Qualquer objeto, qualquer imagem, qualquer testemunho oral, uma história de que se lembra”, pode revelar aspetos desconhecidos ou esquecidos. E acrescenta: “As pessoas desvalorizam porque não têm noção de que uma história que têm para contar pode ser um documento importantíssimo.”

O apelo do Museu não se limita a quem atualmente vive ou trabalha na Rua Direita. Pelo contrário, procura abranger todos os que, em algum momento, tiveram ligação àquele espaço. “Não significa que as pessoas tenham que, neste momento, estar na Rua Direita. Podem ter memórias de terem estado”, sublinha Idalina Mesquita, destacando a importância das experiências acumuladas ao longo das gerações.

A exposição pretende, assim, cruzar diferentes tempos e olhares, revelando o que a rua foi, o que ainda conserva e o que se transformou. Durante décadas, a Rua Direita concentrou comércio tradicional e pequenos ofícios, desde sapateiros a mercearias, padarias e tabernas, constituindo um verdadeiro centro de vida urbana. Hoje, embora adaptada às novas dinâmicas, continua a ser uma referência identitária para a cidade.

Para a equipa do Museu, este trabalho assume também uma dimensão de responsabilidade perante o futuro. “Quando nós estamos a recuperar memórias é exactamente por isso, porque é pensar a longo prazo”, afirma Idalina Mesquita, lembrando que aquilo que hoje parece banal poderá, daqui a décadas, ser essencial para compreender a evolução da cidade.

A curadora deixa ainda claro que a recolha de contributos não termina com a inauguração da exposição. “A exposição vai ter que ter um dia de abertura”, refere, mas acrescenta que “se alguém vier depois da exposição ter inaugurado, nós continuamos sempre abertos a receber as pessoas”. E reforça: “O museu está de portas abertas para as receber.”

Mais do que uma exposição, este projeto pretende envolver a comunidade num exercício coletivo de preservação da memória. Um convite para olhar para a Rua Direita não apenas como um espaço físico, mas como um lugar de histórias, vivências e identidades que importa registar e partilhar.

Os interessados em colaborar podem contactar o Museu Municipal através do número 263 280 350 ou através do endereço eletrónico mmvfx.producaodeatividades@cm-vfxira.pt.

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