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MURPI defende criação de rede pública de lares e gratuitidade dos medicamentos para idosos

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A sede da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Alpiarça acolheu esta quarta-feira, 27 de maio, as comemorações do 48.º aniversário do Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI), numa iniciativa que juntou dirigentes associativos e representantes do movimento reformado.

Isabel Gomes, presidente do Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI), reiterou o pedido de criação de uma rede pública de lares e denunciando as dificuldades que os idosos enfrentam no acesso a cuidados dignos. Segundo Gomes, os custos atuais dos lares privados rondam entre os 1.600 e os 1.800 euros mensais quando o serviço inclui alimentação, medicamentos, fraldas, acompanhamento de enfermagem e consulta médica regular, valores que tornam a institucionalização inacessível para muitos reformados.

“Lutamos para que estes serviços sejam públicos e dependam apenas da reforma de cada pessoa, de forma a que o idoso mantenha condições de vida normais”, afirmou Isabel Gomes, sublinhando que uma petição promovida pelo MURPI recolheu cerca de 13.000 assinaturas em dois meses e foi discutida na Assembleia da República.

Gomes criticou igualmente o crescimento do apoio domiciliário de caráter lucrativo, que, disse, se limita muitas vezes a tarefas básicas e não garante o acompanhamento humano essencial para idosos isolados: “O que muitos serviços privados fazem é passar, deixar uma refeição e ir-se embora; o que faz falta é a conversa, o contacto e a presença”, afirmou.

A presidente do MURPI apontou ainda para a fragilidade das associações locais que substituem o Estado no apoio aos idosos, criticando a estagnação dos subsídios estatais e o aumento dos custos operacionais que tem levado muitas instituições a dificuldades financeiras. “As associações têm mais trabalhadores e mais encargos, mas o montante que lhes chega do Estado permanece reduzido; muitas acabam endividadas apesar de manterem o serviço essencial aos utentes”, explicou.

No dia em que o MURPI comemora mais um ano de atividade, a organização apelou às autoridades para medidas concretas que garantam financiamento adequado, revisão da carga fiscal sobre as IPSS e a criação de uma rede pública de lares que assegure cuidados de qualidade a preços acessíveis.

José Rui Raposo, da Federação das Associações e Organizações de Reformados, Pensionistas e Idosos do Ribatejo (FARPIR), destacou a importância histórica da data e sublinhou o papel do MURPI na defesa dos direitos da população reformada, pensionista e idosa. Ao longo da sessão, foi salientado o trabalho desenvolvido pelo movimento e a relevância do livro agora apresentado, com as intervenções do 11.º Congresso do MURPI, realizado no final do ano passado.

Nas declarações prestadas, Rui Raposo apontou várias dificuldades sentidas pelos idosos, com destaque para o valor das pensões, a falta de médicos de família, o acesso limitado a consultas de especialidade, exames e tratamentos, bem como a ausência de uma rede pública de lares capaz de responder às necessidades da população mais envelhecida.

“O que nós precisamos é de um aumento efetivo das pensões”, defendeu, referindo que muitos reformados vivem com pensões inferiores a 500 euros, o que considerou “impensável” para garantir condições mínimas de dignidade.

O dirigente alertou ainda para o impacto do aumento do custo de vida, afirmando que muitos idosos são hoje obrigados a escolher entre comprar medicamentos, alimentos ou gás. Nesse sentido, o movimento voltou a exigir ao Governo um aumento imediato das pensões em 50 euros, a partir de 1 de julho, e defendeu a gratuitidade dos medicamentos para maiores de 65 anos.

António Duarte, presidente da ARPICA, aproveitou a celebração do aniversário do MURPI para deixar críticas ao tratamento dado pelo Estado às associações de reformados, pensionistas e idosos. O dirigente considerou que estas instituições acabam por suportar encargos que deveriam ser assumidos pelo poder público, desde logo ao nível da fiscalidade e dos custos com recursos humanos. António Duarte lamentou ainda as dificuldades sentidas no acesso a apoios e sublinhou o papel destas associações na resposta diária às necessidades dos idosos e das suas famílias.

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