Morreu no passado dia 9 de março o arquiteto Jorge Sebastião Mattos de Brito e Abreu, figura de destaque na defesa e valorização do património cultural português. Tinha 76 anos.
Licenciado em Arquitetura pela Escola de Belas Artes de Lisboa, Jorge de Brito e Abreu dedicou mais de meio século da sua vida à salvaguarda do património arquitetónico e histórico do país, desenvolvendo uma carreira marcada pela investigação, intervenção técnica e participação ativa em diversas instituições ligadas à cultura.
O Património Cultural, I.P. manifestou publicamente o seu pesar pela morte do arquiteto. Em nota oficial, a entidade refere que “manifesta o mais sentido e profundo pesar pelo falecimento do Arquiteto Jorge Sebastião Mattos de Brito e Abreu” e endereça condolências à família e amigos “nesta hora de perda e de dor”.
Jorge de Brito e Abreu iniciou o seu percurso profissional na Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), em março de 1974, onde realizou estágio com o arquiteto Elísio Summavielle Soares, na Direção de Serviços de Monumentos. Ao longo de décadas acompanhou e orientou inúmeras intervenções em monumentos classificados, tendo exercido também funções como diretor da Direção de Serviços da Salvaguarda.
Após a extinção da DGEMN, em 2007, integrou os quadros do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR) e, posteriormente, da Direção-Geral do Património Cultural. Entre 2009 e 2011 fez ainda parte do gabinete do secretário de Estado da Cultura do XVIII Governo Constitucional.
Mesmo depois de atingir o limite de idade legal, continuou a colaborar com a administração cultural, primeiro na Direção-Geral do Património Cultural e mais recentemente no Património Cultural, I.P. Paralelamente, prestou apoio técnico ao Fundo Rainha D. Leonor, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no âmbito da reabilitação e conservação do património das Misericórdias.
Desde 2006 integrava o Conselho Nacional de Cultura, na Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico, hoje designada Secção especializada permanente do Património Arquitetónico, Arqueológico e Imaterial.
Além da atividade profissional, manteve uma forte intervenção na sociedade civil, participando em várias associações. Foi vice-presidente da Associação Portuguesa das Casas Históricas e, mais recentemente, vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Genealogia.
Ligado também à vida da Igreja Católica, desempenhou funções em várias irmandades, tendo sido Juiz da Irmandade de Nossa Senhora do Castelo, em Coruche, e exercendo até agora o cargo de Juiz da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Sé Patriarcal de Lisboa. Entre os vários contributos que deixou nesta área destaca-se a sua intervenção técnica na reabilitação do Mosteiro de São Vicente de Fora, no âmbito da instalação do Patriarcado de Lisboa.
Profundo conhecedor do património nacional, percorreu ao longo da vida inúmeros monumentos em todo o país, mantendo sempre uma forte ligação a Coruche, terra que considerava o eixo da sua vida e onde preservou memórias familiares e um importante acervo documental e bibliográfico.
Na mesma nota, o Património Cultural, I.P. destaca que quem teve o privilégio de privar com o arquiteto “preservará a convicção de que o saber, a civilidade, a generosidade e a determinação em perseguir a beleza e a bondade podem materializar-se numa única vida”.




