Faleceu este domingo, 8 de março, em Almeirim, onde residia, D. Francisco de Mascarenhas, considerado o último toureiro da geração associada aos anos dourados da tauromaquia portuguesa. Tinha 99 anos.
O antigo cavaleiro tauromáquico, que enfrentava há algum tempo vários problemas de saúde, terminou a sua vida na cidade ribatejana que marcou profundamente o seu percurso e onde manteve ligação durante décadas.
Nascido em Paço de Arcos, a 8 de fevereiro de 1927, D. Francisco de Mascarenhas pertencia a uma família ligada à nobreza portuguesa do Antigo Regime, com raízes nos Marqueses de Fronteira e nos Condes da Torre. A tradição taurina estava profundamente enraizada na família, com vários membros a dedicarem-se à arte de tourear a cavalo, embora inicialmente como amadores.
A sua estreia em público aconteceu muito cedo, quando tinha apenas oito anos, precisamente em Almeirim. Corria o ano de 1934 quando se apresentou na antiga praça de toiros da cidade, numa corrida dirigida pelo seu tio, D. José de Mascarenhas, lidando um novilho da Casa Prudêncio.
A carreira evoluiu rapidamente. Dois anos depois, em 1936, apresentou-se na Praça de Toiros do Campo Pequeno, em Lisboa. Aos 12 anos já atuava em arenas espanholas. Em 1937 participou numa corrida em El Puerto de Santa María, onde partilhou cartel com o pai, D. Alexandre Mascarenhas, e com o célebre toureiro Manolete, que nessa ocasião realizava uma das suas últimas atuações como novilheiro.
Seguiram-se atuações em várias praças de Espanha, incluindo a Real Maestranza de Sevilha e a praça de Las Ventas, em Madrid, onde se apresentou a 6 de agosto de 1939.
Na década de 1940 regressou a Portugal e tomou a alternativa de cavaleiro tauromáquico na Praça de Toiros do Campo Pequeno a 29 de agosto de 1945, tendo como padrinho o mestre João Branco Núncio.
Almeirim voltaria a cruzar-se de forma marcante com a sua carreira. A 16 de maio de 1954 integrou o cartel da corrida inaugural do novo edifício da Praça de Toiros de Almeirim, ao lado de cavaleiros como Simão da Veiga Júnior, João Branco Núncio e Fernando Salgueiro, numa corrida que reuniu também os matadores Diamantino Viseu e Jaime Malaver.
A carreira de D. Francisco de Mascarenhas terminou em 1956, quando decidiu retirar-se devido ao agravamento de uma miopia que afetava a sua visão. Ainda regressaria pontualmente às arenas, nomeadamente em 1958, na Moita, onde concedeu a alternativa ao cavaleiro José Mestre Baptista, depois de esta ter sido recusada no Campo Pequeno.
Mesmo afastado da atividade artística, manteve-se próximo do mundo taurino. Era presença frequente nas praças e continuou a acompanhar cavaleiros e matadores, que frequentemente procuravam os seus conselhos, reconhecendo a sua experiência e conhecimento como homem de cavalos e de toiros.
Com a sua morte desaparece uma das últimas figuras ligadas a uma geração marcante da história da tauromaquia portuguesa, cuja memória permanece ligada também à cidade de Almeirim, onde iniciou e manteve parte importante da sua ligação à festa brava.




