O primeiro-ministro considerou hoje “muito positivas” as intervenções do Presidente da República sobre o mau tempo, classificando-as como “um impulso construtivo” para uma maior rapidez nos apoios e assumindo que há uma diferença entre a expectativa e o resultado imediato.
Com António José Seguro na primeira fila, Luís Montenegro discursou na cerimónia de assinatura de um protocolo entre a Estrutura de Missão para a reconstrução da região centro do país e fundações, uma iniciativa integrada na agenda da Presidência aberta do chefe de Estado, que decorre até sexta-feira nas regiões mais afetadas pelo mau tempo de fevereiro.
“Eu quero, nesta ocasião dizer, senhor Presidente, que temos registado como muito positivas as suas intervenções e interações com as pessoas, com as comunidades, as instituições, as autoridades locais, num impulso que é construtivo para que todos os órgãos da administração e todas as estruturas da nossa sociedade possam convergir para sermos mais rápidos a executar, a agir e a transformar em realidade aquilo que está muitas vezes nas nossas intenções, nas nossas intervenções e mesmo nos novos instrumentos jurídicos e institucionais”, afirmou.
Da parte do Governo há esse empenhamento, disse o primeiro-ministro, agradecendo ainda a “cooperação inexcedível” do Presidente da República no tratamento mais célere dos procedimentos legislativos sobre o mau tempo.
Explicando que para que as pessoas e as empresas possam aceder aos apoios há procedimentos que é preciso cumprir, Montenegro assegurou que está atento à diferença “entre a expectativa que se cria e o resultado que se opera” e que tudo está a ser feito para “reduzir essa diferença”.
No encerramento da cerimónia de assinatura do protocolo, o Presidente da República aproveitou para felicitar a criação desta plataforma, que “canaliza de uma maneira muito transparente os recursos que a generosidade dos portugueses e das organizações entregam, para que chegue verdadeiramente a quem precise”.
“As contas solidárias nem sempre tiveram o melhor destino e isso, convém que sejamos honestos, gerou desconfiança em muita parte da população portuguesa e de organizações que diziam eu quero ajudar, mas não tenho a certeza que a minha ajuda chegue verdadeiramente a quem eu quero que chegue”, sustentou.
Para o chefe de Estado, “esta inovação criativa” vai ainda criar bases de confiança para situações futuras, junto dos portugueses que “demonstraram e têm demonstrado ao longo da vida que são extremamente solidários”.
“Desde aqueles que têm condições nas suas bolsas e nas suas contas bancárias para o ser, até aqueles que têm menos condições, mas que não resistem ao pelo do coração para ajudar, ainda que minimamente, para que a vida daqueles que precisam possa ser um pouco melhor do que realmente é”, referiu.
Na sua intervenção, Seguro repetiu ainda que “a solidariedade dos portugueses não pode dispensar a responsabilidade do Estado”.
“E também estamos aqui, em particular o senhor primeiro-ministro, para assumir essa responsabilidade”, concluiu.




