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MLF Portugal quer pôr o país no mapa internacional da pesca desportiva embarcada

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José Miguel, 58 anos, natural de Alpiarça, eletricista de profissão e pescador desde a juventude, é o presidente e fundador da Major League Fishing Portugal, a associação que veio preencher um vazio que se vinha agravando na pesca desportiva nacional. Durante três anos, Portugal deixou de ter qualquer entidade capaz de manter o vínculo oficial com a MLF norte‑americana — vínculo esse que, como sublinha, não é um franchising, mas “uma vinculação”, o único modelo que permite aos pescadores portugueses competir nos torneios internacionais. “A associação já cá tinha estado… só que depois acabou”, recorda, explicando que o projeto renasce para colmatar uma lacuna evidente no panorama competitivo.

A modalidade que a MLF Portugal promove é a pesca embarcada de predadores, profundamente enraizada nos Estados Unidos e ainda relativamente recente na Europa. “Lá é só predadores”, afirma, lembrando que em Portugal esta prática só começou a ganhar expressão há cerca de três décadas. A especificidade técnica — barcos equipados, viveiros, motores elétricos, navegação silenciosa — torna o desporto exigente e caro, o que condiciona o número de praticantes. Ainda assim, José Miguel acredita que existam mais de 200 barcos preparados para a pesca ao achigã no país, embora reconheça que muitos pescadores se afastaram devido à “inconsistência nas organizações” ao longo dos anos.

É precisamente essa consistência que a nova associação quer recuperar. “Sejam muitos, sejam poucos, mas que sejam consistentes”, afirma, apontando como exemplo as raras provas nacionais que, por manterem formato e calendário estáveis, continuam a reunir dezenas de embarcações, como as do Baixo Sabor ou do Cabril.

O modelo competitivo da MLF Portugal arranca com duas divisões — Norte e Sul — e um sistema de apuramento simples: “Em cada cinco barcos vai-se apurar um”, explica. A final está marcada para 6 de fevereiro, no Alqueva, e determinará a equipa que representará Portugal nos Estados Unidos. A participação internacional é, para José Miguel, o maior incentivo que a associação pode oferecer. O vencedor terá praticamente todas as despesas pagas: “A inscrição já está paga… as viagens vão ser suportadas pela associação, a estadia também.” O barco para a prova é cedido pela MLF americana, e os treinos — limitados a dois dias — serão assegurados com aluguer de embarcação.

A logística, porém, é complexa. Por isso, Portugal só deverá regressar aos EUA em 2027. “Este ano não quisemos arriscar”, admite, devido à proximidade das datas e ao risco de o apurado não conseguir tratar vistos e passaportes a tempo. O objetivo é que, no futuro, o apuramento decorra sempre no ano anterior à competição internacional.

Para aumentar o número de participantes, a associação aposta numa estratégia clara: abrir portas aos patos e caiaques, modalidades mais acessíveis e já populares entre pescadores jovens. “O futuro é precisamente os caiaques e os patos”, afirma. A ideia é que estes praticantes evoluam para a pesca embarcada e, idealmente, possam até competir nos EUA como co‑anglers, pescadores que participam sem barco próprio e que, segundo José Miguel, têm ali “uma oportunidade de ganhar o vício”.

A ambição maior, contudo, é ver um português chegar ao topo da pesca mundial. A prova internacional reúne pescadores de cerca de 15 países e apura duas equipas para o REDCREST, a competição profissional onde “o primeiro prémio são 300.000 dólares” e onde participam apenas os 30 melhores do mundo. Para José Miguel, não é impossível que um português consiga esse feito: “Basta ganhar aos internacionais”, diz, lembrando que já houve portugueses a alcançar classificações de destaque em associações anteriores.

O formato das provas segue o modelo norte‑americano do Big Five: contam os cinco maiores peixes de cada dia, num total de dez. Nos EUA, todas as capturas são filmadas e transmitidas em direto, com libertação imediata dos peixes. José Miguel gostaria de implementar esse sistema em Portugal, pelo menos com 10 ou 12 barcos, recorrendo a câmaras de vigilância e fiscais a bordo. “Estamos a estudar essas possibilidades”, afirma.

Entre desafios financeiros, necessidade de apoios municipais e resistência de algumas empresas, José Miguel mantém o foco na construção de uma estrutura sólida e duradoura. A MLF Portugal quer crescer, quer atrair novos pescadores e quer recolocar o país no mapa da pesca embarcada internacional. Com consistência, insiste, tudo o resto pode seguir.

A primeira prova realizou-se na Barragem do Cabril, a 18, 19 e 20 de setembro e apurou já três equipas para a final. A segunda prova vai ter lugar na Barragem do Alqueva a 166, 17 e 18 de outubro, de onde vão sair mais três finalistas, que irão disputar o apuramento para competir do outro lado do Atlântico. A final deve-se realizar em meados de fevereiro.

Fotos por: MLF Portugal

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