A décima edição da Agroglobal arrancou esta terça-feira no CNEMA, em Santarém, reunindo centenas de profissionais do setor agrícola e agroalimentar.
O ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, que visitou os campos agrícolas em Almeirim e os stands empresariais em Santarém, elogiou os progressos da agricultura portuguesa nos últimos anos, mas deixou críticas à lentidão dos processos de licenciamento e apelou a uma maior capacidade de resposta do Estado.
“Temos muita tecnologia em Portugal, desde a biotecnologia à robótica, passando pela inteligência artificial. Mas falta sermos mais rápidos no licenciamento, é inaceitável que estes processos demorem uma eternidade”, afirmou o governante, lembrando que várias empresas manifestam dificuldades em aplicar soluções de economia circular no setor agrícola, como a valorização de resíduos agroindustriais para produção de energia ou fertilizantes.
O ministro destacou que a inovação na agricultura está a dar frutos. “Em 2024 diminuímos o nosso défice agroalimentar em cerca de 421 milhões de euros. Aumentámos a produtividade, as exportações cresceram mais do que as importações e o rendimento dos agricultores subiu cerca de 14,7%”, disse, atribuindo parte destes resultados ao pagamento de apoios em atraso. “Temos de ser justos e reconhecer que o facto de termos regularizado pagamentos referentes a 2023 e 2024 contribuiu para esta melhoria.”
Apesar destes sinais positivos, José Manuel Fernandes insistiu que o país não pode perder tempo. “Falta velocidade, falta simplificação, falta legislação mais clara. E também falta mudar a cultura de parte da administração pública. Nós temos excelentes funcionários, mas também há quem atrase, quem encrave. Em vez de olhar para um projeto e perceber como aprová-lo, procura-se formas de o chumbar. Isto é a deturpação daquilo que deve ser uma cultura de serviço público.”
O ministro sublinhou ainda que a inovação exige competências humanas. “É fundamental termos pessoas com capacidade de ensinar e jovens preparados para utilizar estas tecnologias. Só assim poderemos tirar partido do enorme potencial que temos à nossa disposição.”
Questionado sobre o papel das feiras profissionais, José Manuel Fernandes não hesitou em considerar a Agroglobal um espaço essencial para o futuro do setor. “É uma montra de inovação, um lugar de partilha, de contacto e de reflexão. É também um espaço de alguma competição, o que considero absolutamente essencial para dinamizar a agricultura portuguesa.”
O governante abordou ainda a questão da água, lembrando o projeto “a água que une”, que prevê investimentos avultados até 2040. “Estamos a falar de 5.400 milhões de euros até 2030 e de mais 4.000 milhões até 2040. Estes investimentos vão permitir armazenar e distribuir água de forma mais eficiente, regular caudais ecológicos, evitar inundações e reforçar a atratividade do território, nomeadamente para o investimento agrícola. Temos de acelerar a execução destes projetos, porque a água é um fator determinante para o futuro da agricultura e para o desenvolvimento regional.”
Para José Manuel Fernandes, o caminho está traçado, mas exige mudanças estruturais. “Temos bons sinais, mas ainda muito trabalho pela frente. Precisamos de atrair jovens para a agricultura, precisamos de simplificar procedimentos e precisamos de garantir que a inovação chega ao terreno. No fim de contas, o essencial é assegurarmos aquilo que eu costumo chamar de comida no prato. A segurança alimentar, associada à inovação e à coesão territorial, é a base da nossa estratégia.”
A Agroglobal, que se prolonga durante três dias, é considerada a maior feira agrícola profissional em Portugal. No CNEMA, em Santarém, estão representadas centenas de empresas, associações e instituições ligadas ao setor, num evento que, mais uma vez, se assume como ponto de encontro privilegiado entre tecnologia, conhecimento e produção agrícola.





























