MDM denuncia “retrocesso sem precedentes” na saúde materna e infantil na Lezíria do Tejo

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A instabilidade no Serviço Nacional de Saúde está a afetar de forma significativa o acesso aos cuidados de saúde materna e infantil nas regiões do Médio Tejo e da Lezíria, alerta o núcleo distrital de Santarém do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), que fala num “retrocesso sem precedentes” na assistência a mulheres e crianças.

Em nota de imprensa, o movimento aponta para o encerramento cíclico de blocos de partos e para a degradação dos cuidados de saúde primários como fatores que têm vindo a agravar a situação. Segundo o MDM, a realidade nas Unidades Locais de Saúde do Médio Tejo e da Lezíria é marcada por uma “intermitência” nas urgências obstétricas que se tornou recorrente, obrigando grávidas em trabalho de parto a deslocações de dezenas de quilómetros.

O movimento considera que esta situação cria um verdadeiro “mapa da incerteza”, onde o acesso aos cuidados depende da disponibilidade momentânea dos serviços. “Esta ‘lotaria’ de escalas coloca em risco a segurança clínica e o bem-estar emocional das mães”, refere o MDM, sublinhando que muitas utentes são encaminhadas para unidades hospitalares da Grande Lisboa já sobrecarregadas.

Também na área pediátrica são apontadas dificuldades, nomeadamente em Torres Novas, onde a urgência tem enfrentado períodos de encerramento ou funcionamento condicionado, deixando famílias sem resposta de proximidade. A situação agrava-se ainda com o encerramento da urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital de Vila Franca de Xira, que levou ao encaminhamento de casos para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, a cerca de 50 quilómetros, abrangendo populações de vários concelhos, incluindo Benavente.

Para o MDM, os problemas não se limitam ao contexto hospitalar. A falta de médicos de família está a comprometer serviços essenciais nos cuidados primários, com impacto direto no planeamento familiar e no acompanhamento pré-natal. “Com a falta de consultas, o acesso a métodos contraceptivos e aconselhamento especializado está comprometido, o que pode resultar num aumento de gravidezes não planeadas”, alerta o movimento.

Na saúde materno-infantil, a ausência de médico atribuído impede muitas grávidas de cumprirem o número recomendado de consultas, transferindo a pressão para as urgências hospitalares. O movimento critica esta realidade e deixa uma posição clara: “Não aceitamos o encerramento das urgências de maternidades. É um desrespeito pelos direitos conquistados e pela dignidade das mulheres”.

O MDM considera que o atual cenário reflete um desinvestimento no SNS com consequências diretas na vida das populações. “A denúncia é clara: o desinvestimento no SNS está a traduzir-se num desrespeito pelos direitos das grávidas”, afirma, acrescentando que, apesar de a lei garantir acompanhamento de proximidade, “a realidade do terreno dita o isolamento e a ansiedade”.

O impacto faz-se sentir em vários concelhos da região, como Abrantes, Mação, Tomar ou Santarém, onde o acesso aos cuidados de saúde se tornou, segundo o movimento, “um exercício de logística complexo e, por vezes, perigoso”.

Perante este cenário, o MDM defende soluções estruturais e duradouras, rejeitando medidas temporárias. “A solução exige mais do que ‘pensos rápidos’ nas escalas; exige a fixação de profissionais e a garantia de que o local de nascimento de uma criança não seja decidido pela disponibilidade de uma escala de serviço num determinado dia da semana”, conclui.

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