A passagem da depressão Kristin pela Lezíria do Tejo provocou um elevado número de ocorrências durante a madrugada e manhã, com especial incidência em quedas de árvores, estradas obstruídas, falhas de energia e danos em infraestruturas. O balanço foi feito por fonte do Comando Sub Regional da Proteção Civil da Lezíria do Tejo, que descreveu um cenário de forte pressão sobre os meios de socorro em praticamente todos os concelhos da região.
“Os primeiros efeitos começaram a sentir se a partir da meia noite, com algum vento e precipitação ainda sem grande intensidade. O grande volume das ocorrências surgiu depois das quatro da manhã, quando entraram rajadas muito fortes que afetaram todos os municípios”, explicou a mesma fonte.
Entre os concelhos mais afetados está a Chamusca, onde várias localidades ficaram sem energia elétrica. “Temos zonas inteiras sem fornecimento de eletricidade e estamos a articular com as entidades responsáveis para perceber a origem das falhas e acelerar a reposição do serviço”, referiu.
Também Alpiarça e Almeirim registaram um número elevado de situações, sobretudo relacionadas com árvores caídas e vias bloqueadas. “Há muitas estradas obstruídas e muito trabalho de desobstrução ainda por fazer”, acrescentou.
No concelho do Cartaxo, uma localidade ficou temporariamente isolada devido a problemas numa ponte, obrigando a ações de apoio à população. “Foi necessário garantir apoio domiciliário a uma aldeia que ficou sem acesso, numa situação que está a ser acompanhada no terreno”, indicou.
Já em Rio Maior, a Proteção Civil destacou uma ocorrência considerada sensível. “Tivemos uma fuga de gás num depósito do Centro de Saúde de Rio Maior. A unidade teve de ser evacuada e não foi possível conter a fuga de imediato”, revelou a fonte, sublinhando que a situação obrigou ao encerramento temporário do edifício por razões de segurança.
Além dos danos visíveis, multiplicam se os problemas em infraestruturas essenciais. “Temos muitos cortes de linhas aéreas, quer de comunicações quer de eletricidade, um pouco por toda a região. Isso está a mobilizar muitos meios dos bombeiros e dos serviços municipais de proteção civil”, disse.
A evolução da situação hidrológica é outra das preocupações. “Estamos a registar um aumento dos caudais do Tejo. Os solos estão saturados e a água aproxima se do limite de contenção do rio. Qualquer descarga adicional pode levar ao galgamento das margens, por isso mantemos uma monitorização permanente”, afirmou.
Até ao momento, há registo de um ferido em Samora Correia. “Para já é a única vítima confirmada. Temos também algumas pessoas deslocadas, mas ainda sem confirmação de desalojados. Essas situações estão a ser geridas a nível municipal”, esclareceu.
Houve também registo de uma pessoa resgatada de uma estrada inundada. deixando a Proteção Civil um apelo para que se respeite a sinalização existente nos locais.
A Proteção Civil deixa ainda um alerta à população para o respeito pela sinalização nas estradas. “Muitos dos salvamentos que fizemos resultaram de circulação em vias que já estavam cortadas ou condicionadas. Quando a sinalização é desrespeitada, o risco aumenta muito”, avisou.
Apesar de uma melhoria temporária do estado do tempo durante o dia, os operacionais mantêm se em alerta. “O dia está a ajudar porque não temos vento nem chuva neste momento, mas há ainda muito trabalho de desobstrução e prevê se novo episódio de chuva e vento durante a noite. Com os solos tão encharcados, isso pode originar mais ocorrências”, concluiu a mesma fonte.






