A Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERTAR) arrancou a BTL 2026 com uma estratégia reforçada de promoção dos dois destinos, apostando na comunicação, na internacionalização e na afirmação do enoturismo como produto âncora. As linhas orientadoras foram traçadas por José Manuel Santos, presidente da entidade, em declarações ao NS, na abertura do certame, em Lisboa.
“Procuramos melhorar ano após ano e este ano o desafio é significativo”, começou por afirmar, recordando que em 2025 o Alentejo e o Ribatejo foram destino convidado da feira. “Este ano já não somos destino convidado e, portanto, apostámos muito num stand com mais áreas, mais experiências imersivas, potenciando melhor a marca Alentejo e a marca Ribatejo”, explicou.
Com cerca de 1200 metros quadrados no pavilhão principal e presença também no Pavilhão do Enoturismo, a entidade optou por reforçar a componente visual e dinâmica do espaço. “Produzimos filmes e conteúdos específicos para o Alentejo e para o Ribatejo. Melhorámos a área central do stand, criámos um ambiente mais dinâmico, mais vivo, em maior ligação com o público”, sublinhou.
Nos primeiros três dias, dedicados a profissionais, estão agendadas reuniões com operadores turísticos brasileiros, holandeses, alemães e espanhóis. “Esta é uma edição mais focada na comunicação e na imagem”, referiu, acrescentando que a equipa de promoção foi reforçada e que há um cuidado especial “com os pequenos pormenores”.
José Manuel Santos fez questão de destacar o peso do enoturismo na estratégia regional. “Damos um grande destaque ao enoturismo. O Ribatejo tem uma representação muito forte no Pavilhão do Enoturismo, o que é condizente com a notoriedade que este produto tem vindo a granjear”, afirmou. Para o responsável, o vinho é hoje “a grande bandeira quer do Alentejo, quer do Ribatejo”.
Apesar de reconhecer que o Ribatejo “tem cerca de 20 anos de atraso em relação ao Alentejo” em matéria de consolidação turística, garante que os dois destinos estão em paridade na promoção. “Alentejo e Ribatejo são tratados com a mesma atenção, com o mesmo carinho, com o mesmo foco e com o mesmo profissionalismo”, assegurou.
O presidente da Entidade Regional revelou que a partir de meados de março será lançada “uma grande campanha em Espanha, dirigida à Andaluzia e à Estremadura”, que pela primeira vez terá conteúdos exclusivos do Ribatejo. “Vamos ter formatos específicos, campanhas digitais e mupis digitais só do Ribatejo. É a primeira vez que isso acontece”, destacou.
A estratégia digital também foi reforçada, com novos perfis de Instagram para o mercado brasileiro, para os mercados internacionais e, em breve, para o mercado espanhol. “Passámos a ter a obrigatoriedade de um dos conteúdos semanais ser Ribatejo. Estamos a colocar mais Ribatejo na nossa promoção turística”, explicou.
Em termos de resultados, 2025 foi o melhor ano de sempre para o Alentejo, que atingiu 3,4 milhões de dormidas. O Ribatejo, por seu lado, cresceu mais de 10 mil dormidas no mercado nacional, embora o comportamento internacional tenha ficado aquém do esperado. “É absolutamente estratégico mobilizar o Ribatejo”, defendeu, anunciando uma reunião em breve com empresas da região para reforçar a presença na Agência de Promoção Turística. “Se não tivermos mais empresas do Ribatejo, os nossos tiros nos mercados internacionais estão muito limitados”, alertou.
A aposta passa também pelo audiovisual, com uma parceria em fase de fecho com a produtora da Marquesa de Alorna. “O audiovisual é hoje uma ferramenta muito importante de branding dos territórios e de promoção turística. Temos de criar estratégias de win win e sinergias”, afirmou.
Questionado sobre os prejuízos provocados pelo mau tempo, José Manuel Santos revelou que está a ser fechado um relatório a entregar ao secretário de Estado do Turismo. “Temos um balanço de danos e prejuízos a rondar os 10 milhões de euros entre o Alentejo e o Ribatejo, sendo que os dados no Ribatejo são particularmente significativos”, indicou.
Os danos incidem sobretudo em infraestruturas públicas de apoio ao turismo. “Centros de cycling, áreas de serviço para autocaravanas, redes de percursos pedestres, cais fluviais, museus. Um conjunto de atrações turísticas absolutamente fundamentais para alguns municípios do Ribatejo”, enumerou.
O responsável considera positivo que vários concelhos tenham sido reconhecidos como estando em situação de calamidade, esperando que isso agilize os apoios. “Espero que o Governo seja mais lesto, porque é muito importante que estes apoios cheguem rapidamente às empresas”, afirmou, garantindo que a prioridade é “repor a normalidade do funcionamento do sistema turístico o mais breve possível”.
A encerrar, deixou um convite aos visitantes da BTL. “O Alentejo e o Ribatejo não se explicam, é preciso ir ao território”, disse. Para José Manuel Santos, ambos partilham um traço comum essencial. “A autenticidade do Alentejo é a autenticidade do Ribatejo. Não são autenticidades encenadas, vêm do território”, afirmou.
“Há uma essência que a terra alentejana e a terra ribatejana carregam. O que precisamos é criar por cima dessa essência bons produtos, serviços e experiências”, concluiu, defendendo que no stand da BTL “captamos a essência de Portugal” e que ali se encontra “o melhor que Portugal tem”.





