Joaquim Martinho é o novo presidente da Associação de Futebol de Santarém, que sucede a Franscisco Jerónimo, o que considera ser “uns sapatos difíceis de calçar”. Durante 40 anos foi bancário no Banco de Crédito Agrícola e está agora reformado, desde o dia 19 de março.
A par da vida de bancário, diz-se um homem do associativismo, tendo presidido ao Clube Atlético Riachense e ao Clube de Caçadores dos Riachos, no concelho de Torres Novas, de onde é natural. Após uma notícia no jornal local, em que assumiu que não voltaria a recandidatar-se à presidência do Clube de Caçadores, em 2004, recebeu uma chamada de Rui Manhoso, na altura se recandidatava a presidente da Associação de Futebol de Santarém, com o convite para integrar a direção.
“Foi a 21 de Abril de 2004. Recordo esse dia porque coincidiu com o funeral do pai de um amigo”, relembra ao NS o agora presidente da AFS, durante a conversa que decorreu na sede da associação, em Santarém. O processo seguiu e durante o Verão integrou a direção como vogal. Acompanhou também Francisco Jerónimo durante os três mandatos, onde desempenhou funções de vice-presidente desportivo.
A candidatura surgiu após uma reunião da direção em que Francisco Jerónimo assumiu que não se ia recandidatar para um novo mandato. Com o processo de reforma já em andamento, entendeu que presidir à AFS seria o desafio ideal, já que durante os 20 anos em que a integrou nunca teve a disponibilidade para abraçar o projeto de corpo e alma, ainda que desse sempre o máximo nos projetos em que se empenhava.
Ao NS, assume que quer dar continuidade ao “excelente trabalho que se tem feito nos últimos 12 anos”, mas não se esquecendo de olhar para o futuro. Para isso juntou alguns elementos da anterior direção a novos elementos com o objetivo de assegurar a continuidade do bom trabalho que refere às novas perspectivas de encarar o futebol no distrito que os novos elementos trazem.
Já a olhar para o futuro próximo, Joaquim Martinho revelou dois projetos que estão a ser trabalhados pela nova direção da Associação. O primeiro é para “assumir a responsabilidade social da Associação” e quer levar o futebol às associações de apoio aos utentes com deficiências, tornando o futebol inclusivo.
“A deficiência não é, nem pode ser limitativa à prática do desporto”, vinca Joaquim Martinho. Os contactos com municípios e instituições para integrarem o projeto estão em andamento e aponta-se ao Verão de 2025 como meta para que se realize o primeiro encontro de futebol inclusivo do distrito. O objetivo é que se realizem vários encontros anualmente distribuídos pelos vários concelhos do distrito de Santarém.
A aposta nos relvados digitais é outra das áreas que está a ser desenvolvida pela Associação de Futebol de Santarém. Embora não tenha revelado muito sobre o assunto, Joaquim Martinho garantiu apenas que a revelação será feita muito em breve.
O número de atletas inscritos na Associação de Futebol tem crescido a olhos vistos, tendo aumentado “em relação ao ano passado em período homólogo cerca de 600 atletas”, revelou Joaquim Martinho, que atribuiu este crescimento às modalidades como o Walking Football e à aposta que a AFS tem feito no futebol feminino, de forma a acompanhar o investimento da Federação Portuguesa de Futebol na modalidade, que está em clara expansão no panorama nacional e internacional.
Este crescimento, embora muito positivo para o distrito de Santarém, acarreta custos cada vez mais elevados para o funcionamento da Associação de Futebol. Para fazer face a este aumento de custos, uma das medidas é a atribuição de namings às competições distritais, à semelhança do que acontece nas competições profissionais, de forma a encontrar patrocinadores que apoiem financeiramente a AFS. A final da Taça do Ribatejo já vai ser patrocinada, com a seguradora NacionalGest a dar o nome à competição. A primeira divisão de séniores passará a ter um patrocinador durante a próxima época, embora ainda não esteja oficializado.
“Gostava que houvesse uma pacificação total no futebol do distrito”
Questionado sobre qual a marca que gostaria de deixar durante o tempo que estiver ao leme da Associação, Joaquim Martinho assumiu que quer a “pacificação total” especialmente quando toca aos jogos do futebol de formação.
“Antigamente era o futebol sénior onde havia mais desacatos. Hoje em dia essas situações acontecem cada vez mais nos jogos dos escalões de formação”, lamenta o presidente, apelando aos pais que deixem “a clubite de lado” e que percebam o que é o futebol de formação.
“No futebol há três resultados possíveis: ganhar, empatar ou perder”, atira o presidente, acrescentando que estes resultados vão acontecer a todas as equipas e que é preciso fairplay para os aceitar. O recado deixa-o também aos dirigentes dos clubes, apelando que se esforcem para contribuir para pacificar as situações desagradáveis que se vão registando nos relvados dos distritos.
Joaquim Martinho deixa também o apelo ao respeito pelos juízes das partidas, que muitas vezes são árbitros em formação também.
“Muitas vezes o árbitro falha. Errou naquele lance. E quando um jogador falha na cara do golo? Ou o guarda redes dá um frango? Não há o mesmo recriminar como se recrimina um jovem árbitro. Está a aprender para ser árbitro no futuro. As pessoas têm que se convencer que o futebol merece mais do que fazer barulho à volta de um resultado” conclui Joaquim Martinho.



