O Município de Almeirim marcou presença na BTL 2026 integrado no stand da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, levando à maior montra do turismo nacional uma estratégia que vai muito além da emblemática sopa da pedra. O presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Joaquim Catalão, assumiu que o concelho vive uma nova fase no sector, apostando na diversificação da oferta e na criação de condições para fixar visitantes por mais tempo.
“É um facto que, há uns anos, o turismo estava muito focado na sopa da pedra. Era praticamente a nossa imagem de marca exclusiva”, reconheceu o autarca. “Hoje já não é assim. Para além da sopa da pedra, temos as caralhotas, o melão, os nossos vinhos, sobretudo os vinhos brancos, que têm muita força e muita presença.”
Para Joaquim Catalão, a gastronomia continua a ser um pilar fundamental, mas deixou de ser o único argumento. “Temos consciência de que a sopa da pedra abriu portas, mas o turismo em Almeirim já não vive apenas disso. Estamos a diversificar e a criar novas razões para visitar o concelho.”
Entre essas novas apostas surge o turismo cultural. O presidente revelou que a autarquia está a preparar o lançamento de um concurso para a criação de um museu interpretativo dedicado à história local. “Queremos avançar com a implantação de um museu interactivo sobre a história de Almeirim, desde as Cortes de Almeirim até aos dias de hoje”, explicou.
O espaço ficará localizado junto às antigas escolas e à Igreja do Divino Espírito Santo, numa zona onde o município adquiriu recentemente um terreno para permitir a ampliação do edifício. “A Câmara adquiriu um terreno que vai facilitar essa ampliação. A ideia é instalar ali o Museu Interpretativo da História de Almeirim, onde também estará representada a sopa da pedra e a palhota, porque fazem parte da nossa identidade.”
O objectivo é claro. “Queremos que as pessoas que vêm a Almeirim para fazer a sua refeição possam depois ficar e percorrer o concelho. Não só Almeirim, mas também Paço dos Negros, onde vamos recuperar o pórtico e instalar, no futuro, um centro interpretativo da história da freguesia.”
A estratégia passa pela criação de uma verdadeira rota cultural interna. “Queremos criar uma rota cultural dentro do concelho para que as pessoas possam permanecer não apenas durante o período da refeição, mas um dia ou dois dias, conhecendo todo o território.”
Paralelamente, o município está a apostar no turismo de natureza, com a criação de rotas de caminhadas e valorização da paisagem envolvente. “Estamos a olhar para a natureza como um complemento essencial à nossa oferta. O concelho tem condições para isso e queremos explorá las de forma sustentável.”
Outra peça central desta estratégia é o IVV, que o autarca considera um equipamento estruturante. “O IVV é um imóvel que nos vai permitir fazer muita coisa, quer a nível cultural, quer ao nível de eventos empresariais.”
Joaquim Catalão revelou que já no próximo fim de semana Almeirim irá acolher um grande evento empresarial. “Vamos ter um evento que trará 600 pessoas durante dois dias, sexta e sábado. Isso é muito importante para o nosso concelho.”
No entanto, o crescimento do turismo de eventos tem exposto uma fragilidade. “Estamos a sentir alguma dificuldade em reter essas pessoas durante a noite. Temos falta de camas. Essa é uma realidade que precisamos de resolver.”
O presidente da Câmara foi claro quanto à necessidade de investimento na hotelaria. “Estamos a procurar um grande grupo hoteleiro que queira investir em Almeirim, com a criação de um hotel que permita dar resposta a quem vem participar nestes eventos.”
Segundo Joaquim Catalão, a falta de oferta já obrigou visitantes a procurar alojamento fora do concelho e até da região. “Há cerca de dois meses tivemos um evento com 700 pessoas durante três ou quatro dias. Houve muita gente que teve de ir dormir a Lisboa, porque nem Almeirim nem Santarém conseguiram dar resposta. Isso é algo que temos de colmatar.”
Para o autarca, o turismo assume um papel cada vez mais relevante na economia local. “A agricultura continua a ser o nosso grande motor económico, mas queremos apostar no turismo como forma de diversificar a economia de Almeirim.”
A presença na BTL 2026 surge, assim, como uma oportunidade estratégica para afirmar essa nova visão. “Estamos aqui para mostrar que Almeirim é muito mais do que um prato típico. Temos cultura, natureza, capacidade para acolher grandes eventos e uma identidade muito forte. O que queremos agora é criar condições para que quem nos visita fique mais tempo e contribua ainda mais para o desenvolvimento do concelho.”



































