O presidente do Instituto Politécnico de Santarém, João Moutão, aproveitou a inauguração da Feira InterEDUCA, em Santarém, para lançar um apelo à união dos responsáveis políticos em torno da criação da futura Universidade do Ribatejo, sublinhando a importância de colocar a educação acima de divergências partidárias.
Num momento simbólico, durante um brinde com o executivo da Câmara Municipal de Santarém, João Moutão defendeu que o debate político não deve comprometer um projeto estruturante para a região. “Que discutam e tenham os vossos pensamentos, mas depois, neste tema da educação, continuem a apostar e a trabalhar em conjunto”, afirmou, apelando a uma convergência de esforços.
O apelo surge num contexto de tensão política recente, após críticas do vereador Pedro Ribeiro (PS) ao presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite (PSD), que acusou de procurar retirar proveitos pessoais do projeto da Universidade do Ribatejo. Questionado sobre o tema, João Moutão escusou-se a alimentar polémicas, optando por centrar o discurso na importância do projeto. “Não entro em guerras políticas. O que está em causa é o futuro da região e das pessoas”, sublinhou.
Em declarações ao NS, o presidente do Politécnico reforçou que a educação deve ser um espaço de convergência e não de divisão. “Quando se trata de educação, todos os atores, sejam políticos, empresariais ou sociais, têm que estar alinhados em promover o melhor para os jovens e para as pessoas”, sublinhou, defendendo uma visão agregadora para o setor.
João Moutão destacou ainda que as divergências ideológicas são naturais e até saudáveis em democracia, mas não devem impedir decisões estratégicas. “Independentemente das diferenças que existem, tem que haver capacidade de as pôr de lado quando se trata de tomar decisões que são importantes para o futuro das pessoas”, afirmou, mostrando-se confiante na capacidade dos responsáveis políticos da região em alcançar esse entendimento.
O responsável insistiu que a Universidade do Ribatejo deve ser encarada como um projeto coletivo e não como uma iniciativa individual. “Não é um projeto de uma pessoa ou de uma entidade. É um projeto da região”, frisou, defendendo que o seu sucesso depende do envolvimento de todos os agentes políticos, institucionais e económicos.
No contexto da InterEDUCA, João Moutão destacou ainda a importância do ecossistema educativo e empresarial presente no evento, considerando-o um exemplo do caminho a seguir. “Temos aqui escolas, instituições de ensino superior, empresas e, acima de tudo, jovens. Este ecossistema mostra que há condições para construir um futuro sólido na região”, afirmou.
A capacidade de fixar talento foi outro dos pontos centrais das suas declarações. O presidente do Politécnico defendeu que a existência de oferta formativa de qualidade, aliada a oportunidades de emprego, pode evitar a saída de jovens para outras regiões. “Os jovens podem encontrar aqui formação superior de qualidade e emprego qualificado, o que lhes permite permanecer no território com qualidade de vida”, destacou.
Nesse sentido, deixou um desafio coletivo. “É responsabilidade de todos fixar este talento e também atrair novos para a região. Isso será determinante para o nosso desenvolvimento”, afirmou.
O projeto da Universidade do Ribatejo tem vindo a ganhar destaque no debate público, sendo apontado como uma iniciativa estratégica para a Lezíria do Tejo, com potencial para transformar o território ao nível da qualificação, inovação e competitividade.






