A utilização de inteligência artificial na área da saúde está a transformar a forma como os doentes tomam decisões clínicas. Um estudo recente revela que a tecnologia da ADA Health, integrada no avaliador de sintomas da aplicação My CUF, já está a produzir resultados concretos na rede CUF, com impacto direto no comportamento dos utentes.
De acordo com o estudo ESSENCE, publicado na revista científica NEJM AI, cerca de três em cada cinco doentes alteraram efetivamente o seu comportamento após utilizarem a ferramenta digital. Além disso, o número de pessoas que recebeu cuidados clinicamente adequados mais do que duplicou, passando de 29,8% para 64,4%.
Perante sintomas inexplicados, muitos doentes enfrentam dúvidas sobre qual o nível de cuidados mais indicado, o que pode conduzir a atrasos no diagnóstico ou a decisões menos adequadas. A tecnologia da ADA pretende responder a este desafio, orientando os utilizadores em tempo real e ajudando-os a escolher o percurso clínico mais adequado.
“Durante demasiado tempo, o debate sobre a IA na saúde centrou-se apenas em métricas de precisão e no seu potencial teórico. Este estudo altera essa discussão. Mostra que, quando a ADA é integrada no percurso real do doente, não se limita a informá-lo, transforma a forma como procura e acede aos cuidados”, afirma Fabienne Cotte, primeira autora do estudo.
A investigação envolveu 1.470 participantes adultos, que utilizaram a aplicação My CUF, permitindo cruzar dados com registos clínicos reais e questionários de acompanhamento. Entre os principais resultados, destaca-se que um em cada três utilizadores alterou a sua intenção inicial após recorrer ao avaliador de sintomas, enquanto a percentagem de pessoas indecisas reduziu significativamente.
Outro dado relevante mostra que, entre os doentes que inicialmente ponderavam recorrer às urgências, cerca de 40% optaram por cuidados de menor complexidade, considerados adequados por avaliação médica. O estudo não identificou riscos adicionais para a segurança dos doentes.
“A inovação na saúde tem de ir para além das promessas. Tem de demonstrar valor em contextos reais. Quando os doentes recebem orientação clínica rigorosa e podem agir de imediato, dirigem-se para os cuidados adequados, com impacto real na sua vida”, sublinha Micaela Seemann Monteiro.
Os resultados agora divulgados apontam para uma mudança significativa na forma como a inteligência artificial pode ser aplicada na saúde, não apenas como ferramenta informativa, mas como um instrumento capaz de influenciar decisões reais e melhorar o acesso a cuidados clínicos apropriados.






