I Jornadas da ULS Lezíria debatem futuro dos cuidados de saúde

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As I Jornadas da Unidade Local de Saúde (ULS) da Lezíria do Tejo, sob o lema “Cuidar Juntos, Cuidar Melhor”, reuniram cerca de 250 participantes presenciais e 200 em streaming no auditório do Instituto Politécnico de Santarém (IPSantarém). O evento, que decorre a 9 e 10 de abril no auditório da Escola Superior Agrária de Santarém, foca-se na integração de cuidados, qualidade assistencial e inovação no SNS, com intervenções de líderes locais e nacionais.

Durante a sessão de abertura o presidente da Câmara de Santarém e da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, João Leite, abriu as jornadas enfatizando a rede entre municípios e instituições. “A saúde não se faz em compartimentos estanques, faz-se em rede, com diálogo entre municípios, instituições e comunidades”, afirmou, referindo a colaboração próxima com a ULS e os 11 municípios da região. Leite sublinhou também a valorização dos profissionais: “A vossa missão […] é enorme. E é uma dimensão maior que tem de ser cada vez mais valorizada”.

O presidente do IPSantarém, João Moutão, agradeceu o acolhimento e vincou o papel da instituição no território. “Nós não sabemos trabalhar de outra forma que não seja em rede, em equipa e […] para cuidar melhor, é preciso trabalhar em rede”, disse, destacando os 5500 estudantes, dois terços imigrantes, bem atendidos pela ULS. Moutão anunciou a renovação de protocolos e elogiou o apoio da autarquia.

Pedro Marques, presidente do Conselho de Administração da ULS Lezíria, detalhou os retos da integração recente. “Uma ULS não se esgota na integração administrativa […]. Aquilo que verdadeiramente define uma ULS é a capacidade de construir percursos assistenciais integrados, centrados nas pessoas”, referiu, citando o estudo PISA 2024 (49% de coordenação de cuidados em Portugal vs. 59% OCDE). Marques defendeu redes com One Health, marketing em saúde e liderança: “Somos todos líderes daquilo que fazemos”.

Pedro Marques, presidente do Conselho de Administração da ULS Lezíria – uma das mais recentes do país –, fez uma intervenção detalhada sobre os desafios da integração. Defendeu a passagem de um “modelo fragmentado, tradicionalmente assente em cuidados primários, hospitalares e continuados” para uma gestão integrada, alertando para culturas distintas, sistemas de informação incompatíveis e incentivos desalinhados. “Aquilo que verdadeiramente define uma ULS é a capacidade de construir percursos assistenciais integrados, centrados nas pessoas”, enfatizou, citando o estudo PISA 2024: apenas 49% dos portugueses com doença crónica reportam boa coordenação de cuidados no SNS (vs. 59% na OCDE).

Marques criticou o financiamento por capitação ajustada pelo risco (80% do orçamento da ULS), com “contradições” como a incorporação de produção no cálculo do HIDRA e exclusão de utentes sem médico de família. Introduziu o conceito One Health – articulando saúde humana, veterinária, ambiente e agricultura – como futuro inevitável, e defendeu requalificação dos cuidados primários, expansão hospitalar, investigação translacional, Value Based Healthcare e marketing em saúde: “estratégias baseadas em evidência que influenciam comportamentos de saúde, comunicam valor, gerem a experiência do utente”. Convidou todos a serem “agentes de mudança”: “Queremos ser inquietos, irrequietos, inconformados, capazes de sair para a zona de desconforto” para uma ULS de referência nacional.

O enfermeiro Hélder de Sousa, da Direção Executiva do SNS, encerrou com uma visão estratégica para o futuro. “Cuidar juntos não é uma opção, é uma responsabilidade coletiva e uma condição para cuidar melhor”, declarou, testando a integração na recente tempestade na região, onde a ULS Lezíria demonstrou “conhecimento profundo do território, capacidade de mobilização e adaptação em tempo real”. Defendeu cuidados domiciliários como mudança “incontornável” face ao envelhecimento: “Vamos ter de passar dos 18% de cuidados domiciliários que temos hoje no país para cerca de 60%” em 2050, para manter níveis atuais de cuidados.

Sousa citou a recente resolução da AR reforçando respostas domiciliárias e continuadas, e o despacho criando a Comissão Interministerial para Cuidados de Longa Duração, articulando saúde e setor social (estruturas residenciais para idosos). Referiu o Plano de Preparação e Resposta Sazonal em Saúde 26-27 como ferramenta para riscos climáticos e epidemiológicos, e vincou: “O nosso maior desafio não é saber o que fazer – todos sabemos –. É garantir que conseguimos fazer acontecer”. Exigiu cuidar de quem cuida e liderança transformadora para um SNS sustentável.

O programa, no IPSantarém, percorre “ULS como projeto comum”, “articulação que faz a diferença”, qualidade/segurança, bem-estar profissional e inovação em rede. Anunciadas as II Jornadas para 2027, o evento reforça o compromisso coletivo por um SNS mais próximo, eficiente e centrado no utente.

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