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Hospital de Santarém recebe “investimento estrutural” também a pensar no crescimento de Santarém

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O Hospital Distrital de Santarém está no centro de um plano de investimento que a Unidade Local de Saúde da Lezíria (ULS Lezíria) considera determinante para preparar a resposta hospitalar da próxima década, num território que está a crescer e onde a procura por cuidados de saúde tende a aumentar.

Pedro Marques, administrador da ULS Lezíria, assume que o investimento em curso, superior a 19 milhões de euros e distribuído por 29 projetos, tem uma dimensão estrutural. Segundo o responsável, trata-se de “um investimento que só é possível com o Portugal 2030, através do PRR e do Alentejo 2030”, permitindo requalificar instalações, modernizar equipamentos e criar condições para prestar cuidados “com maior qualidade, com maior segurança e com tratamentos mais efetivos” à população.

Mas a aposta não é apenas uma resposta às necessidades atuais do hospital. Pedro Marques liga diretamente os investimentos ao crescimento de Santarém e da região, defendendo que a ULS tem de se antecipar à evolução demográfica e à maior atratividade do território. “Nós temos um território que está hoje em dia com atratividade, com crescimento demográfico significativo”, afirmou, reconhecendo que é difícil ajustar a oferta quando “a procura cresce mais depressa do que a oferta”.

É neste contexto que a ULS Lezíria está a preparar uma visão para o futuro do Hospital de Santarém. Pedro Marques fala numa espécie de plano diretor hospitalar para a próxima década, pensado para responder a novas exigências clínicas, tecnológicas e populacionais. “Estamos já a planear a carta hospitalar”, disse, sublinhando que a unidade quer acompanhar o aumento da diferenciação tecnológica na saúde.

O administrador defende que Santarém não pode ficar para trás num setor cada vez mais marcado pela tecnologia, pela inteligência artificial e por equipamentos diferenciados. “Estamos a evoluir claramente para uma técnica superior e mais diferenciada na saúde”, afirmou, acrescentando que “Santarém quer estar na vanguarda das unidades mais diferenciadas, não quer fazer-se ultrapassar”.

Entre os projetos mais relevantes está a construção de um novo edifício hospitalar, que deverá permitir reorganizar áreas atualmente insuficientes ou instaladas em condições provisórias. Pedro Marques explicou que esse novo espaço deverá dar resposta ao Hospital de Dia, às áreas cirúrgicas, à esterilização, à unidade de cuidados intermédios, a serviços administrativos, auditório, gabinete de formação e serviço de comunicação.

A nova estrutura será também essencial para a oncologia. O Hospital de Dia da Oncologia, atualmente em instalações provisórias, deverá passar para o novo edifício, com melhores condições para os doentes. Pedro Marques lembrou que os tratamentos oncológicos podem demorar várias horas e que “as pessoas têm de estar confortáveis quando estão a receber o tratamento”, com condições de segurança e conforto “que não são compatíveis com improvisos”.

A modernização passa igualmente pela aquisição de novos equipamentos. A imagiologia surge como uma das áreas de maior aposta, com um investimento que poderá aproximar-se dos três milhões de euros. Para Pedro Marques, esta é hoje uma área crítica na medicina hospitalar, já que muitos diagnósticos e tratamentos dependem de tecnologia de imagem. O robô cirúrgico é outro dos investimentos considerados estratégicos, com impacto em especialidades como urologia, ortopedia e cirurgia geral.

O investimento físico é também visto como uma forma de atrair profissionais de saúde para Santarém. Pedro Marques sublinhou que melhores condições de trabalho, equipamentos diferenciados e tempos de bloco operatório são fatores essenciais para fixar médicos e equipas técnicas. “Ao fazermos este investimento no edifício e nos equipamentos, também nos permite atrair profissionais de saúde”, afirmou.

A ULS Lezíria conseguiu recentemente captar profissionais para áreas como oncologia, pediatria, pneumologia, medicina interna e cirurgia. Nos cuidados de saúde primários, chegaram nove novos médicos de família, que deverão permitir dar resposta a cerca de mais 14 mil utentes inscritos. Em Santarém, onde existem perto de 10 mil utentes sem médico de família, está a ser trabalhada com o município a criação de uma nova unidade.

As obras em curso no Hospital de Santarém têm provocado constrangimentos, mas Pedro Marques considera que a alternativa seria adiar uma requalificação indispensável. “Nós não podemos ter um hospital requalificado tendo encerrado. Nós temos que continuar a trabalhar”, afirmou, reconhecendo que até ao final de agosto e início de setembro haverá “pó, barulho, ruído, disrupção” e alguma diminuição da capacidade de resposta.

Perante a abertura de novos investimentos privados na área da saúde em Santarém, Pedro Marques rejeita qualquer receio por parte da ULS. O administrador considera que os privados são parceiros complementares, mas garante que o Serviço Nacional de Saúde tem prioridades bem definidas. “Nós não temos receio de rigorosamente nada. Sabemos o que temos pela frente para fazer”, afirmou.

No essencial, a mensagem deixada pela administração da ULS Lezíria é a de que o Hospital de Santarém está a ser preparado para responder a uma região em mudança. Mais população, mais procura, maior diferenciação tecnológica e novas necessidades clínicas obrigam a uma reestruturação profunda. Pedro Marques resume a missão da instituição numa prioridade: colocar a saúde das pessoas e a qualidade de vida no centro das decisões, transformando o investimento agora em curso numa resposta duradoura para Santarém e para toda a Lezíria.

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