A vila de Cabeção, no concelho de Mora, prepara-se para reviver uma das suas mais antigas e carismáticas tradições carnavalescas. No próximo dia 14 de fevereiro de 2026, o Grupo Oh 63 voltará a sair à rua para cumprir a já emblemática Festa das Sortes, num gesto de preservação cultural que se mantém vivo há 44 anos.
O grupo é constituído por homens naturais da freguesia, todos nascidos em 1963, que celebram este ano 63 anos de vida. A data é simbólica e reforça o orgulho com que continuam a honrar uma tradição que marcou gerações e que, durante décadas, animou o Carnaval cabeçanense.
A Festa das Sortes deixou de fazer parte da vivência regular da vila após 2004, ano em que terminou o Serviço Militar Obrigatório em Portugal. Ainda assim, o Grupo Oh 63 recusou deixar cair no esquecimento este ritual popular, mantendo o espírito, o fervor e o rigor que sempre o caracterizaram.
Um desfile com sabor a tradição
Tal como manda a tradição, o grupo sairá em cortejo pelas ruas da vila, acompanhado pelo acordeonista que os acompanha há mais de quatro décadas. O percurso incluirá a já habitual rota das adegas, onde os participantes prestam homenagem aos produtores locais. Em cada paragem, são recebidos com petiscos e com a prova do vinho novo de talha, produto que tem dado crescente notoriedade ao vinho tradicional de Cabeção.
Os participantes transportarão também a mítica vara de pau, elemento central do ritual. Ao longo do trajeto, a população oferecerá enchidos como chouriços e farinheiras, que serão guardados para serem saboreados em conjunto no final do dia, num momento de convívio que reforça os laços entre gerações.
Almoço e baile abertos à comunidade
Depois do desfile, o grupo será recebido para almoço no restaurante do Fluviário de Mora, situado no Parque Ecológico do Gameiro. A celebração prolonga-se até ao início da noite, altura em que terá lugar um baile aberto à população, com entrada gratuita, prometendo um ambiente de festa e convívio.
Uma herança que atravessa gerações
A tradição das Sortes remonta a um tempo em que os jovens mancebos da vila percorriam as ruas durante o Carnaval, animando a população com pandeiretas decoradas com fitas de cetim e ao som do acordeão. Transportavam uma vara onde eram pendurados os enchidos oferecidos pelos moradores, num ritual que podia durar todo o dia e que simbolizava união, partilha e celebração.
Hoje, o Grupo Oh 63 assume a missão de manter viva esta herança cultural, reafirmando a identidade de Cabeção como Terra de Tradições. A iniciativa pretende envolver a comunidade e despertar o interesse das gerações mais novas, garantindo que esta festa popular continue a fazer parte da memória coletiva da vila.






