O projeto piloto lançado pelo Governo para reduzir o excesso de javalis prevê o pagamento de 50 euros por cada macho e 70 euros por cada fêmea abatidos para além da média registada nos últimos anos. Os valores são referidos pelo Ministério da Agricultura e Mar e serão atribuídos aos clubes de caça abrangidos pela medida.
A iniciativa deverá ser aplicada em 60 concelhos e tem como objetivo aumentar em, pelo menos, 10 por cento o número de javalis abatidos nas zonas onde existe maior densidade da espécie.
O projeto concretiza uma medida que já tinha sido antecipada ao NS pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, durante uma deslocação a Coruche. Na ocasião, o governante revelou que estava a ser preparado um mecanismo de pagamento associado ao abate de javalis, embora não tivesse avançado os montantes que seriam atribuídos.
“Temos javalis a mais”, afirmou então José Manuel Fernandes ao NS, explicando que existe um estudo da Universidade de Aveiro que identifica as zonas do país onde a presença da espécie é mais elevada.
De acordo com os elementos agora conhecidos, os clubes de caça receberão o incentivo pelos animais abatidos acima da média dos últimos anos. O valor será de 50 euros por cada macho e de 70 euros por cada fêmea.
Com esta medida, o Governo pretende aumentar o número de abates nos territórios onde a população de javalis é considerada excessiva e contribuir para um maior equilíbrio da espécie.
Em declarações ao NS, José Manuel Fernandes já tinha explicado que o controlo da população teria de passar pela atividade cinegética. “Nesses sítios nós temos que fazer a redução do número de javalis através da caça, pagando o montante por animal”, afirmou.
A medida surge como resposta ao crescimento das populações de javalis e aos problemas que a espécie provoca, sobretudo no meio rural. Entre as principais preocupações estão os prejuízos nas explorações agrícolas e os riscos para a segurança rodoviária.
Apesar de a presença de javalis dentro das localidades ganhar frequentemente destaque nas redes sociais, é nas zonas rurais e junto das povoações que estes animais têm maior impacto no quotidiano das populações e na atividade agrícola.
O controlo da espécie enfrenta, contudo, limitações previstas na atual legislação, nomeadamente no que diz respeito à caça nas proximidades de habitações e unidades industriais.
O Governo está também a preparar alterações à legislação da caça, que deverão incluir uma redução das distâncias atualmente exigidas em relação a aldeias e zonas industriais, permitindo uma maior capacidade de intervenção nos locais onde os animais se aproximam das populações.
José Manuel Fernandes já tinha apontado a diminuição do número de caçadores como uma das dificuldades no controlo da população de javalis.
“Esta medida extraordinária prova que efetivamente há caçadores a menos, porque se existissem caçadores em número suficiente, não precisávamos de avançar para este projeto piloto”, afirmou o ministro ao NS.
O governante defendeu ainda o papel da atividade cinegética na gestão das populações animais. “Tem que existir equilíbrio e neste momento não há equilíbrio”, sublinhou.
A seleção dos 60 concelhos deverá ter por base critérios técnicos relacionados com a distribuição e a concentração dos javalis, direcionando a medida para os territórios onde o problema é mais significativo.
A questão assume particular relevância em zonas agrícolas como o Vale do Sorraia e a Lezíria do Tejo, onde os javalis podem causar prejuízos elevados nas culturas e constituir também um risco acrescido para a circulação rodoviária.








