O Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, revelou esta terça-feira ao NS, que o Ministério da Agricultura está empenhado em aumentar o número de jovens que se dedicam à agricultura em Portugal, implementando medidas que possibilitem a “renovação geracional” do setor, isto depois de durante muitos anos ter existindo “um ataque à agricultura absolutamente inaceitável”.
À margem da sua presença no Dia do Milho, promovido pela Anpromis na Estação Experimental António Teixeira, em Coruche, e confrontado com o reduzido interesse no curso de agronomia na Escola Agrária de Santarém, do Instituto Politécnico de Santarém, que em 58 vagas disponíveis apenas teve 9 interessados na primeira fase de ingresso, José Manuel Fernandes considera que o ataque feito à agricultura, que “até em livros escolares colocou um agricultor como se fosse um vilão”, contribuiu para que os jovens se tenham desmotivado de ingressar numa carreira ligada à agricultura.
Ainda assim o governante salientou que “os nove (inscritos no curso) vão ter emprego garantido e bem remunerado”.
O governante reforçou que o Governo tem com objetivo “a renovação geracional” dos empresários e trabalhadores agrícolas”, num processo que irá certamente demorar tempo. “Estamos a trabalhar para que as escolas profissionais agrícolas tenham uma nova força, vão passar a ser geridas através das CCDR, que terão, no fundo, um olhar mais próximo para este objetivo e para a atratividade de jovens para esta área”, disse, acrescentando que “a agricultura tem futuro e estamos a trabalhar para que a percepção deste futuro seja transmitida”.
José Manuel Fernandes considera que centros como a Estação Experimental em Coruche são fundamentais não só para a atratividade de jovens para a agricultura, como também para que o setor enfrente os desafios que tem pela frente, “como por exemplo as alterações climáticas, os solos por vezes cansados em alguns sítios, falta de água…”, pelo que são necessárias “novas técnicas de melhoramento, culturas mais resistentes, apostar na agricultura de precisão, utilizar drones, ter inteligência artificial, usar os dados dos satélites, aumentar a produtividade e nesse sentido, estes trabalhos, estes ensaios, esta inovação, esta investigação, esta partilha e cooperação é absolutamente essencial para nós sermos mais competitivos, mas em simultâneo, também mais coesos do ponto de vista territorial”.
O Ministro da Agricultura anunciou ainda que um dos grandes objetivos do atual Governo é a “redução do défice agroalimentar”, que já foi conseguido em 2024, “sendo reduzido em 470 milhões de euros face 2023”.





